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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A INTEGRAÇÃO POSSÍVEL ENTRE PSIQUIATRIA, PSICOLOGIA E ESPIRITUALIDADE - Uma Proposta Inicial

A INTEGRAÇÃO POSSÍVEL ENTRE PSIQUIATRIA, PSICOLOGIA E TRANSCENDÊNCIA (Uma proposta inicial)

Hoje é dia do Psicólogo, data em que foi assinada a Lei 4.119[1], de 27 de agosto de 1962, que instituiu a profissão de Psicólogo, com formação generalista e tríplice (professor, pesquisador e psicólogo), podendo atuar em todos os campos, desde que devidamente registrado no Conselho Regional desta categoria profissional.

Em 14/09/2007, através da Resolução 013/2007[2], foi instituído o título de Especialista em Psicologia, concedendo a titulação e todos os Psicólogos que já exerciam alguma especialidade há mais de cinco anos, instituindo prova de acesso aos novos especialistas, através de provas anuais dos Conselhos, para atuação nas áreas abaixo descritas, conforme estabelecido na referida Resolução:

“Art. 3o - As especialidades a serem concedidas são as seguintes: I. Psicologia Escolar/Educacional; II. Psicologia Organizacional e do Trabalho; III. Psicologia de Trânsito; IV. Psicologia Jurídica; V. Psicologia do Esporte; VI. Psicologia Clínica; 3 VII. Psicologia Hospitalar; VIII. Psicopedagogia; IX. Psicomotricidade; X. Psicologia Social; XI. Neuropsicologia.”

 

Anteriormente, profissionais graduados em medicina, com formação também generalista, podiam exercer a Psiquiatria, até que através da Resolução 1974/2011[3], também foi instituída a exigência de título de especialista, ao Psiquiatra. Desta forma, atualmente apenas Médicos especializados em Psiquiatria e Psicólogos especializados em Clínica, ambos registrados em seus respectivos conselhos, podem, legalmente, atuar na área de saúde mental, em consultórios particulares ou instituições e fornecer laudos, atestados e pareceres técnicos.

A partir do aumento do interesse da sociedade pela área da Psicologia, surgiram muitos Cursos de Extensão e Pós-Graduação abertos a todas as categorias profissionais, que ocasionaram distorções, tanto no exercício da atividade, como em relação às informações e publicações oferecidas à população em geral.

Com o surgimento da Psicologia Transpessoal, a partir dos estudos desenvolvidos por Abraham Maslow e Stanislav Groff, em 1967, o campo de atuação da Psicologia expandiu-se também em direção aos fenômenos espirituais, como foi tão bem explanado por Vicente Galvão Parisi[4], em artigo científico publicado na Revista de Psicologia da PUC/SP.

No Brasil, a Psicologia Transpessoal foi introduzida por Pierre Weil[5], a partir dos estudos e pesquisas por ele desenvolvidos na Universidade Federal de Minas Gerais[6], logo atraindo grande interesse por parte dos profissionais de várias áreas, também estudiosos dos fenômenos psicológicos.

A partir desse período, muitos textos e livros foram produzidos por Jean-Yves Leloup[7], Vera Saldanha[8], Presidente da ALUBRAT[9] – Associação Luso Brasileira de Psicologia Transpessoal e Roberto Crema[10], Atual Reitor da UNIPAZ[11] – Universidade Internacional da Paz, que também agrega o CIT[12] – Colégio Internacional de Terapeutas, proposta de atuação terapêutica inspirada nos Terapeutas de Alexandria, do primeiro século da era Cristã.

Diante desse novo contexto de ampliação do interesse dos profissionais da área de saúde mental, em torno dos estudos e pesquisas sobre o fenômeno religioso, o Conselho Federal de Psicologia emitiu Nota Pública[13] do CFP de esclarecimento à sociedade e aos profissionais da área, sobre Psicologia e religiosidade no exercício profissional, ressaltando a necessidade de acolhimento a todas as tradições professadas pelos clientes em atendimento.

Diante da necessidade de aprofundamento de todas essas questões para a definição de futuros procedimentos, propomos o diálogo entre os Conselhos de Medicina e Psicologia e as instituições de ensino pioneiras no campo do estudo e das pesquisas na área de Psicologia Transpessoal, para possíveis integrações, quais sejam:

1.      Integração entre a formação em Psiquiatria (que privilegia o diagnóstico   e a medicação) e Psicologia (que privilegia as teorias e técnicas de intervenção terapêutica), para a formação de um único profissional de saúde mental, possivelmente através de uma prova de validação dos profissionais, pelo Conselho de Psicologia, com vista ao recebimento do registro no CRP;

2.      Revisão do impedimento de medicar, aos Psicólogos que estudaram psicofarmacologia e autorização do uso de florais ;

3.      Revisão dos impedimentos de uso de acupuntura, conforme Resolução CFP nº 005/2002, sem reservas de mercado, considerando-se que a Acupuntura está fundamentada na existência de um corpo energético não estudado pela Medicina, conforme recurso do CFP, divulgado em Nota Oficial[14];

4.      Atualização do Plano Pedagógico dos Cursos de Graduação em Psicologia, na maioria das Universidades Brasileiras, para inclusão de abordagens mais condizentes com a atual demanda da população, tais como a Psiconeurolinguística, Bioenergética, Gestalt-Terapia e Psicologia Transpessoal, Física Quântica e Tradições Sapientais da Humanidade;

5.      Inclusão das Terapias Regressivas como disciplinas eletivas dos Cursos de Graduação em Psicologia;

6.      Maior fiscalização sobre o exercício ilegal da Psicologia, por profissionais de outras áreas, sem o respectivo registro no Conselho da Categoria.

 

Por tudo o que foi aqui exposto, que nós, Psiquiatras e Psicólogos, possamos nos reunir em círculo, ao redor das importantes questões que emergem neste momento, no campo da saúde mental, integrando teorias, práticas e o conhecimento das Tradições Sapientais da Humanidade, para a compreensão do Ser Humano Integral, com postura transdisciplinar e transreligiosa.

 

                     Sueli Meirelles – Especialista em Psicologia Clínica CRP 05/11601,

                                em Nova Friburgo,  27 de Agosto de 2020.



[3] Link para a Lei que institui a Especialização no campo da Medicina: https://www.google.com/search?q=resolu%C3%A7%C3%A3o+1974+de+2011&oq=resolu%C3%A7%C3%A3o+1974&aqs=chrome.2.69i57j0l4.10155j1j4&client=ms-android-motorola-rev2&sourceid=chrome-mobile&ie=UTF-8

[5][5] Pierre Weil: https://unipaz.org.br/pierre-weil/

[8][8] Site Vera Saldanha: https://verasaldanha.com/

[10][10] Site Roberto Crema: https://robertocrema.com.br/


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

CLASSIFICAÇÃO ESPIRITUAL DOS PROCESSO JURÍDICOS

 

Caminhar no tênue limiar da síntese entre Psicologia e Espiritualidade, exige-nos abertura conceitual e inclusiva, considerando que cada pessoa percebe a realidade a partir de um filtro emocional constituído por suas experiências de vida, conforme tão bem postulado por Pierre Weil. Introdutor da Psicologia Transpessoal, no Brasil.

Em recente aplicação da Técnica “A Gruta do Coração! [1], emergiu uma interessante classificação dos processos jurídicos, correlacionando-os aos estados de consciência predominantes em cada pessoa e aos correspondentes conflitos emocionais, a saber:

 

CHAKRA

CONFLITO

DESCRIÇÃO

SOLUÇÃO

DESCRIÇÃO

BÁSICO

 

TER X

NÃO TER

É o nível dos conflitos relacionados ao desejo material, necessidade de segurança, subsistência,  posse de bens materiais e disputa de espaço , decorrentes da aglomeração  populacional nas cidades.

 

AMARELO

 

Cor que simboliza a autoconfiança capaz de restabelecer a segurança emocional necessária à solução dos conflitos neste nível mais primário.

SEXUAL

PRAZER X DESPRAZER

Atualmente o nível mais negativo, alimentado por energias mal qualificadas, resultantes do grande número de conflitos relacionados a estupro, pedofilia e toda sorte de abusos gerados pelo desrespeito à integridade do corpo de outra pessoa.

 

 

VERDE

Cor que simboliza a verdade, justiça e conhecimento, harmonia e equilibro, nos níveis físico, emocional, mental e espiritual.

ESPLÊNICO

MANDAR X

OBEDECER

É o nível das disputas pelo poder exercido pelas lideranças, em diferentes segmentos da sociedade.

 

BRANCO

 

Cor que simboliza a paz e a serenidade necessárias à resolução de conflitos de poder.

CARDÍACO

APEGO X

DESAPEGO

É o nível dos conflitos pessoais e familiares, relacionados a processos de separação conjugal, guarda de filhos, assistência a idosos, inventários, pensões alimentícias...

 

ROSA

Cor que simboliza o amor incondicional capaz de se sobrepor e anular todas as mágoas, ressentimentos e sentimentos negativos, decorrentes dos conflitos familiares.

LARÍNGEO

CERTO X

ERRADO

É o nível dos conflitos relacionados aos próprios conceitos de justiça, segundo o entendimento de cada parte da contenda e também dos profissionais da área de justiça.

 

 

 

VIOLETA

Simboliza o perdão, compaixão e misericórdia necessários para deixar ficar no passado as mágoas e ressentimentos, a partir da compreensão do sentido espiritual da vida.

FRONTAL

VAIDADE X

SIMPLICIDADE

É o nível dos conflitos relacionados à vaidade daqueles que supõem saberem mais do que os outros, buscando sobre estes sobrepor suas vontades, muitas vezes movidos por necessidade de reconhecimento pessoal.

 

 

AMARELO

Cor que simboliza a autoconfiança necessária aos relacionamentos saudáveis, em condições de igualdade e respeito mútuo.

CORONÁRIO

ORGULHO X

HUMILDADE

 

É o nível dos conflitos relacionados ao orgulho quando, mesmo sabendo que não tem direitos sobre algo ou alguém, a pessoa se coloca acima da lei, para sobrepor a sua própria vontade e arrogar tudo para si mesma.

 

 

AZUL CLARO

Cor que simboliza a autenticidade necessária para reconhecer que, diante do Divino, não é maior nem menor do que os outros; é apenas um ser em permanente processo evolutivo, na escola da vida.

 

OBS: Embora esta técnica já tenha sido aplicada centenas de vezes, com o objetivo de promover a elevação de consciência e conexão com o Self, em cada paciente, esta foi uma primeira aplicação com foco em processos jurídicos. Desse modo, as cores de solução simbolizam o Atributo Divino orientado para o profissional mediador de conflitos, para que este possa solucioná-los com equanimidade. Para todos nós, fica a proposta de reflexão...

 Deixe seu like, compatilhe e ajude a formar a Massa Crística da Nova Consciência planetária.

Whatsapp: 55 22 99955-7166
Site: www.suelimeirelles.com

                                                   Sueli Meirelles, em Nova Friburgo,  12 de Agosto de 2020.



[1] Técnica de elevação da mente até a conexão com o Self ou Eu Superior (oitavo estado de consciência), para visualização dos conflitos existentes em cada nível de consciência, do chakra básico, até o coronário.



domingo, 16 de agosto de 2020

MÉTODO MEIRELLES DE REPROGRAMAÇÃO MENTAL - Curso Totalmente Online em parceria com a ALUBRAT

 

PROGRAMA DO CURSO ONLINE -  MÉTODO MEIRELLES DE REPROGRAMAÇÃO MENTAL

GDT - Grupo Didático Terapêutico

APRESENTAÇÃO: 

Completando 34 anos de atividade profissional em 16/08/20, com um Banco de Dados de cerca de 3.000 casos clínicos, Sueli Meirelles selecionou as técnicas mais produtivas da Abordagem Transdisciplinar em Psicoterapia (Movimento de Síntese entre a Psiconeurolinguística, Bioenergética, Gestalt-Terapia, Psicologia Transpessoal, Física Quântica e Tradições Sapientais da Humanidade), criando um método próprio e bem sucedido: MÉTODO MEIRELLES DE REPROGRAMAÇÃO MENTAL.

Estas técnicas estão agora disponíveis para você, Profissional das Áreas da Saúde e Educação (Médicos, Psicólogos, Fonoaudiólogos, Psicopedagogos, Assistentes Sociais...), interessados em aprimorar seus conhecimentos técnicos, através do Curso MÉTODO MEIRELLES DE REPROGRAMAÇÃO MENTAL, em 12 encontros mensais, reunindo participantes interessados nesta proposta, onde você terá a oportunidade  imperdível de vivenciar as técnicas como cliente e aplicá-las em sua área de atuação, de forma dinâmica e produtiva, para que seu cliente ou aluno alcance  resultados afetivos e efetivos de plena transformação Interior.

OBJETIVOS:

1.    Contribuir com a ampliação do enquadre diagnóstico, para a visão integral do ser humano;

2.    Oferecer recursos técnicos de intervenção psicológica em situações emergenciais.

MODALIDADE DO CURSO: EAD

1.    O Curso será desenvolvido em Módulos mensais, com duração de 9 horas/aula, mensais, pela plataforma ZOOM, o que permitirá que você exercite atividades interativas com seus colegas de turma, durante todo o treinamento.

2.    Será fornecido certificado ao treinando que cursar os 12 (doze)  módulos teórico-vivenciais.

3.    O Curso será dividido em 4 momentos, em cada Módulo:

3.1.        Aplicação da Técnica de Reprogramação Mental em um dos participantes do grupo.

3.2.        Explanação Teórica da técnica aplicada;

3.3.        Treinamento entre os participantes, em dupla, com acompanhamento da Facilitadora.

3.4.        Supervisão aos atendimentos realizados pelos participantes do grupo.

 

4.    Após o agendamento do primeiro encontro, o treinando receberá o Contrato do Curso, para leitura prévia.

5.    O Curso prevê uma auto-avaliação de aproveitamento do treinando, no sexto módulo e uma auto-avaliação do treinando e avaliação do curso, ao final do programa básico de 12 módulos.

CRONOGRAMA E PROGRAMA:

 26/09/20 -  I Módulo -  Ética e Postura Profissional – Modelos Administrativos – A Entrevista Inicial em ATH.

 

 24/10/20 - II Módulo – Identificação da Dinâmica Psíquica (Técnica: O Animal).

21/11/20 -  III Módulo - Técnica de Reprogramação da Infância (Técnica: O Álbum).

19/12/20 -  IV Módulo - Técnica de Identificação de Bloqueios Psíquicos (Técnica: A Torre).

23/01/20 - V Módulo - Técnica de Esvaziamento de Cargas Emocionais (Técnica: As Nuvens).

20/02/21 - VI Módulo - Técnica de Despedida de Entes Queridos (Técnica: O Jardim).

20/03/21 - VII Módulo - Técnica de Equilibração das Funções Psíquicas (Técnica: Quatro Funções).

24/04/21 - VIII Módulo - Técnica de Integração de Partes Psíquicas (Técnica: PAAC).

22/05/21 -  IX Módulo - Técnica de Diálogo com o Sintoma (Sala de Exames).

19/06/21 - X Módulo - Técnica de Contato com o Eu Superior (Técnica: A Gruta do Coração)

24/07/21 - XI Módulo - Técnica de Avaliação para Alta (O Lago).

21/08/21 - XII Módulo - Apresentação de Trabalhos – Encerramento.

 

Prática: 1 hora/aula

Teoria: 1 hora/aula

Treinamento: 1 hora/aula

Supervisão: 1 hora/aula

 

Investimento total: R$3.900,00 (Entrevista Seletiva + 12 módulos mensais), com 10% de desconto, para pagamento a vista ou dividido em até 18 parcelas.

Agendamento de Entrevista: Whatsapp 55 22 99955-7166 – Instituto Vir a Ser

Email: suelimeirelles@gmail.com

Pré-Requisito para recebimento de Certificado emitido pelo Instituto Vir a Ser em parceria com a ALUBRAT – Associação Luso Brasileira de Psicologia Transpessoal: 100% de freqüência nos módulos teóricos. As faltas deverão ser compensadas em sessão individual, com custo adicional de uma consulta.

 

SUELI MEIRELLES – CRP 05/11601 - : Professora, Pesquisadora e Especialista em Psicologia Clínica, (Regressão de Memória, Hipnose Ericksoniana, Psiconeurolinguística, Bioenergética, Gestalt-Terapia e Psicologia Transpessoal. MBA em Gestão de Projetos (UNIPAZ-2005)  Fundadora e Coordenadora do INSTITUTO VIR A SER. Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral, Ecologia Integral, Educação para a Paz e Implementação de Projetos. Membro da  ALUBRAT – Associação Luso Brasileira de Psicologia Transpessoal. Membro do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas. Autora de artigos e livros sobre Desenvolvimento Humano. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais.

Agendamento de Entrevista Seletiva: Whtasapp 55 22 99955-7166

Site: www.suelimeirelles.com

Email: suelimeirelles@gmail.com

 

 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

NO MUNDO DO NÃO FAZ NADA - Um Conto sobre o potencial dos Adolescentes



Naquele dia, Rafa estava muito irritado. Seus pais só ficavam lhe cobrando uma porção de compromissos entediantes. Que Saco! Dizia ele. Todo dia era a mesma coisa. Não agüentava mais. A noite, Rafa estava exausto, com tantas pressões. Depois de muitas horas gastas nos jogos online, dos quais tanto gostava e o tirava do tédio diário, já alta madrugada, ele foi dormir, sonhando com “O mundo do não faz nada”. Ahh! Como seria bom, ter tempo livre para fazer somente o que gostava. Porque o mundo era tão chato? Seus amigos eram da mesma opinião. Os adultos complicavam a vida, criando regras inúteis, tarefas mil e compromissos desnecessários. Por isso eram tão aborrecidos, quase sempre discutindo uns com os outros. E ainda nos chamam de “aborrecentes”. “Aborrecentes” são eles! O mundo poderia ser tão simples! Pensava Rafa, no auge do seu mau humor. Ansiando por uma saída para o problema, Rafa desligou seu notebook e após alguma dificuldade em conciliar o sono, pelo excesso de estímulos luminoso, mergulhou num sono profundo e conturbado e na surpreendente experiência de atravessar o portal do “Mundo do não faz nada.” Uma sensação de profundo alívio, tomou conta de todo o ser. Para dizer a verdade, de cada célula do seu corpo, trazendo-lhe uma deliciosa sensação de liberdade, há muito não sentida.   Enfim estou livre de toda aquela chateação, pensou alegremente, surpreso com a liberdade recém-conquistada. Neste novo mundo, seus pais estavam misteriosamente ausentes, e ele viu-se confortavelmente deitado em sua cama, tendo nas mãos o controle remoto da TV do seu quarto e, mais adiante, o notebook que deveria ser utilizado para as aulas online, durante a quarentena do Corona Vírus. Olhou o celular, para ver as horas, mas este não acendeu. Estava desligado. Levantou-se, ainda com preguiça, em busca do carregador e conectou na tomada, junto à cama, mas o celular nem deu sinal de vida. Achou estranho, mas como também ainda estava meio “desligado”, pegou o controle remoto e ligou a televisão, mas ela também não acendeu. Estranho! Pensou ele. Acho que estamos sem luz! Ainda sonolento, levantou-se e clicou no interruptor, mas a luz do teto também não acendeu. Ehh! Estamos sem luz, constatou ele.
 Enquanto aguardava que a luz retornasse, foi até o banheiro para fazer a higiene pessoal que seus pais tanto lhe cobravam. Olhou-se no espelho e viu suas grandes olheiras, testemunhas das noites mal dormidas e o cabelo despenteado. Ainda disposto a rebelar-se contra todas as regras que lhe eram impostas, já que seus pais estavam ausentes, decidiu que não iria pentear os cabelos. Foi até a cozinha para comer algo, mais pela cobrança paterna do que pelo apetite. Costumava comer sanduiches à noite e ao acordar, não sentia fome. Decidiu que também não iria comer nada. Afinal, estava livre de todas estas regras bobas. Olhou pela janela e viu que o dia estava bonito. Decidiu pegar a sua bicicleta e dar uma volta. Talvez encontrasse algum amigo. Assim pensando, foi até a garagem, onde sua bicicleta ficava encostada na parede ao fundo. Lembrou-se que havia muito tempo que não pedalava. Não sentia disposição para exercícios físicos, até mesmo porque, na maioria das vezes, dormia até a hora do almoço. Quando chegou perto de sua bike, percebeu que uma aranha havia feito ali a sua teia. Pegou um pano meio sujo, que havia ele mesmo havia jogado no chão, tempos atrás e removeu a teia de aranha, jogando o pano no chão, novamente. Esperava que sua mãe ou a faxineira acabasse recolhendo. Realmente estava precisando liberar o seu mau humor. Porém, ao olhar para o pneu dianteiro, viu que estava vazio. Droga! Lamentou-se. Teria que ir primeiramente ao borracheiro, para enchê-lo. Ainda bem que havia um bem na esquina da sua rua. Decidiu ir empurrando sua bike até lá, porém, para sua surpresa, a loja estava fechada. Tentou lembrar-se do dia da semana! Sem! Era um dia de segunda-feira. Teria havido algum problema? Ainda cheio de interrogações, viu um colega sentado na praça em frente e, encostando a bicicleta na porta fechada da loja, caminhou até lá:
 _Ei!, Cara, tudo bem? Perguntou para puxar assunto.
_Bem nada, cara! Não sei o que está acontecendo. Está tudo fechado, sem luz, sem TV, sem celular, sem notebook e também não vejo meus pais para pedir ajuda.
_EH! Respondeu Rafa, muito desanimado. Vi um portal dizendo que aqui é o “Mundo do não faz nada”!
Sentindo-se muito desanimado, Rafa deixou-se cair no banco, ao lado do colega. Sentia tédio total.
_Você quer ir lá para casa, me fazer companhia? Perguntou!
_Sim, respondeu Beto, pensando que seria melhor do que ficar ali, sentado na praça deserta. Pelo menos, poderiam conversar ou jogar algum jogo, mas lembrou-se também que, havia muito tempo, tinha-se desfeito dos jogos interativos não eletrônicos, porque eram coisas do passado. Levantou-se e seguiu Rafa até sua casa. Quando lá chegaram, Rafa lembrou-se que não tinha a chave para entrar, o porteiro eletrônico não funcionava e o zelador do prédio não viera trabalhar. Estavam literalmente na rua... O que fazer? Rafa e Beto começaram a sentir-se muito desconfortáveis, como se uma espécie de estado de alerta começasse a se instalar em suas mentes, corações... Fazendo com que os batimentos cardíacos se acelerassem. E se viesse a passar mal? Onde seria socorrido? Será que os serviços essenciais estavam funcionando? Pela quantidade de lixo antigo nos cantos das calçadas, percebeu que não. Somente os vermes caminhavam ativos pelo lixo apodrecido, em busca de alimento.
_Será que os bichos não faziam parte do “Mundo do não faz nada”, indagou a si mesmo. Mas não tinha tempo para reflexões. Seu estômago dava sinais de fome, pela proximidade da hora do almoço. Mas almoçar, onde? O que? Como? Seu desespero aumentou e Rafa perguntou ao amigo de infortúnio, qual seria a solução. Beto apontou para um terreno baldio, em frente a praça, onde havia crescido uma frondosa mangueira, dentro da perfeita Lei da Natureza e ofertava seus saborosos frutos a quem gostasse de mangas e também a quem não gostasse de mangas... Apenas cumprindo seu propósito de vida. Num de seus galhos, um João de Barros, preparava o ninho para a sua companheira e logo que estivesse pronto, nele colocaria seus ovinhos para uma nova ninhada. Rafa pensou que realmente os bichos não faziam parte do “Mundo do não faz nada”. Os dois rapazes caminharam até lá, pegando, no chão, as mangas já amadurecidas e dedicando-se ao “trabalho” descascá-las. Dois frutos para cada um foram suficientes para aplacar, temporariamente, a fome dos rapazes.
Quando voltaram ao banco da praça, mais jovens se reuniam ali. Falavam todos ao mesmo tempo, querendo ser ouvidos e atendidos em seus questionamentos sobre o que estava acontecendo, cada vez mais preocupados com a possibilidade de passarem a noite ao relento. Haviam saído pela manhã, sem agasalhos, não tinham cobertores e nenhum deles se preocupara em pegar as chaves de casa, ao sair, conforme seus pais sempre recomendavam. Não tinham outra opção a não ser se agruparem no quiosque central, para atravessarem uma longa noite insone, tensa e desconfortável, totalmente diferente de suas confortáveis camas, com travesseiros fofos e cobertas aconchegantes.
Ao chegarem ao quiosque, uma nova surpresa os aguardava. Por incrível que parece, ali estavam mendigos de diferentes idades, que haviam catado alguns restos de alimentos nas lixeiras, e se enroscavam em seus velhos e sujos cobertores. Ao verem os jovens entrando, solidariamente abriram espaço para eles no grupo, e começaram a conversar. Apesar do cheiro bem desagradável, aqueles homens traziam dentro de si mesmos, muitas experiências de vida e muitos arrependimentos. Alguns contaram suas tristes histórias e falaram ausência de estrutura familiar e falta de oportunidades; outros falaram sobre as muitas oportunidades de estudo e trabalho que haviam deixado passar, por quererem permanecer no “Mundo do não faz nada”. Agora, alguns afogavam suas mágoas no álcool e outros fugiam da triste realidade, através do uso de drogas. Os jovens ficaram muito impressionados com seus relatos...
Os últimos acontecimentos haviam deixado os jovens muito emocionalmente muito abalados. Ahhh! Que saudade de casa!... Pensou Rafa, começando um choro entrecortado de lamúrias, no que foi seguido pelos outros. Que saudades da família! ...Quanto tempo iria durar aquele martírio? Perguntavam-se uns aos outros. Qual seria a forma de sair daquele pesadelo sem fim? Como um lampejo luminoso, este pensamento atravessou rapidamente o cérebro do jovem Rafa, lembrando-se de beliscar um dos colegas, para ver se este estava acordado. A estratégia funcionou. Para sua surpresa, o colega desapareceu da sua presença. Imediatamente beliscou outro e este também desapareceu e assim sucessivamente, até que Rafa resolveu beliscar-se com bastante força, para por fim ao seu tormento. Como num passe de mágica, viu-se deitado em sua confortável cama, bem no momento em que sua mãe entrava em seu quarto, chamando-o para o café da manhã. Havia sido realmente um pesadelo. O pior de sua vida. Imediatamente, Rafa levantou-se, deu um grande beijo no rosto surpreso de sua mãe, indo ao banheiro para a higiene matinal. Com imensa alegria abriu o chuveiro elétrico, que liberou de pronto a água morna. Ainda tinha lembrança do odor fétido dos corpos suados sem banho... Rafa não se recordava de ter tomado um banho tão gostoso, desde que entrara na adolescência. Sempre havia considerado que tomar banho era uma perda de tempo útil, que poderia ser dedicado ao laser. Mas agora, perguntava-se como seria se também a água não chegasse às adutoras e hidroelétricas e pensou como as pessoas que lá trabalhavam eram importantes. Gratidão a elas!... Terminado o banho, Rafa olhou-se no espelho, penteando seus cabelos com capricho e escovando os dentes. Afinal, tinha pente, espelho, escova, pasta, sabonete e uma toalha felpuda para se enxugar. Neste momento, sentiu-se muito grato aos pais, que lhe proporcionavam tudo isso, além dos altos custos com as mensalidades escolares e o material didático, tratamento ortodôntico... Poxa! Como tivera sorte de nascer num lar formado por pais conscientes. De imediato lembrou-se do João de Barros construindo o ninho para sua única companheira. Ehhh! Os animais estão mais conscientes das leis da vida do que os seres humanos. Olhando-se novamente no espelho, percebeu que ficara rubro de vergonha e descobriu que estava despertando sua consciência para o real sentido da vida. Estava pronto para amadurecer, desenvolver seus potenciais de realização e tornar-se útil à sociedade, como seus pais lhe ensinavam.
Alegremente caminhou até a cozinha, onde sua mãe já havia colocado o leite e o achocolatado de sua preferência. Vendo que faltavam ainda os talheres junto às xícaras, prontamente levantou-se para pegá-los na gaveta, enquanto seus pais se entreolhavam surpresos, sem compreenderem o motivo da súbita mudança de comportamento de filho. Quando sua mãe fez um breve agradecimento pelos alimentos, pedindo bênçãos para quem os plantou, quem os colheu e os preparou, Rafa ficou em silêncio, de olhos baixo e úmidos, pela primeira vez pensando que esse alimentos custavam o trabalho de muitos, até chegarem à mesa de sua casa. Terminado o saboroso café da manhã, Rafa olhou para o relógio da parede, e levantou-se rapidamente, dizendo que iria voltar para o seu quarto, para a aula online daquele dia. Rafa estava com quinze anos e cursava o último ano do ensino fundamental.
Abrindo o aplicativo da aula, Rafa pensou o quanto estes novos recursos estavam sendo úteis durante a quarentena. Se eles não existissem, estariam todos impossibilitados de aprender. Pensou também como utilizava pouco o mundo virtuaL, para aprender coisas úteis. Quanta perda de tempo!... Gostava de assistir aqueles vídeos em que os personagens disputavam força física e conquistavam territórios imaginários, às custas de procedimentos escusos... Novamente sentiu vergonha e seu rosto ficou corado. Seria a cor da Nova Consciência?...
 Terminada a aula, entrou em contato com seus amigos mais próximos pelo vídeo do seu celular. Outro aplicativo bem útil, em tempos de quarentena. Pelo menos podiam se ver e conversar. Queria contar a eles o estranho sonho da noite anterior. Qual não foi a sua surpresa quando seus colegas disseram que haviam tido o mesmo pesadelo. Seria isso possível? Pessoas se encontrando durante o sono, no mesmo lugar? Propôs aos colegas pesquisarem para saber. Encontraram um site que falava sobre “Sonhos Compartilhados”[1] e ficaram conversando sobre as conseqüências de tal experiência:
_Ehh! Cara! Foi um baita susto. Imagina se aquilo fosse real? Teríamos morrido em bem pouco tempo. E continuou: _Hoje, pela manhã, meu pai comentou com minha mãe que 522.000 empresas, no país, fecharam suas portas e isto gerou muito desemprego. Será que estamos caminhando para o “Mundo do não faz nada”? Como as pessoas vão viver sem trabalho? Como vão sustentar os seus filhos?
Rafa lembrou-se de uma frase lida no site Vivência em Cura, percebendo também a utilidade de buscar informações úteis à vida, na Internet:
“O sonho compartilhado também pode servir como uma metáfora da concepção de que todos nós humanos da Terra comungamos de um mesmo “sonho” para criar a realidade deste planeta.”
_Sim! Acho que precisamos começar a construir um mundo melhor; precisamos ajudar de alguma forma, disse Beto. Podemos recolher alimentos e entregar nas instituições. Vamos? Eu fiquei muito impressionado com a nossa experiência. Realmente, sem trabalho, a vida vira um pesadelo! Quando eu pensava em ficar a toa, não imaginava que o meu laser dependia do trabalho de muitas outras pessoas. Que burrice a minha! Estou sentindo vergonha do meu egoísmo.
_Eu também! Disse outro colega, também muito sem jeito. Podemos iniciar alguns movimentos de solidariedade na nossa turma, através do grêmio estudantil. Afinal, temos a força da juventude. Podemos transformar nossos sonhos em realidade, porque temos muito tempo de vida pela frente. Já imaginou se todos os nossos colegas aderirem ao nosso sonho de criar uma nova realidade, neste planeta?... E assim combinados, com grande entusiasmo, iniciaram os contatos necessários.
Com a tarde livre, Rafa entrou no escritório do pai, que alternava os horários de  suas atividades online, como Advogado, com a esposa Psicóloga, que agora atendia online. Ficou ali, observando seu pai dando entrada em algumas petições em PDF, depois de instalar um aplicativo que validava seu acesso ao Fórum Virtual e ficou imaginando como seu pai e sua mãe poderiam continuar trabalhando, durante a quarentena, sem esses novos recursos. Novamente sentiu-se grato... Sua família havia sido poupada desse sofrimento...
No pequeno intervalo para o café da tarde, sentou-se à mesa com eles e relatou o seu estranho sonho, como esta experiência havia mudado sua maneira de ver o mundo e os projetos solidários que pensava desenvolver com seus colegas.  Os pais de Rafa se levantaram e o abraçaram, afetuosamente, compartilhando com o olhar uma frase silenciosa: _Que pesadelo mais abençoado!...
Algumas lágrimas de gratidão escorriam dos olhos dos três familiares. Eles conversaram longamente sobre o que todos estavam vivendo. Nada seria como antes! A transformação social seria intensa. Algumas atividades profissionais deixariam de existir e outras iriam surgir. Tudo isto exigiria muito estudo e muitas adaptações por parte de cada pessoa; , exigiria cada vez mais amor pela tarefa!... Velhos sonhos iriam morrer; novos sonhos iriam renascer e ganhar força; pesadelos serviriam para reflexões profundas, vindas do inconsciente coletivo da sociedade que despertava e eles sabiam que teriam que deixar ir embora  o medo da mudança; precisariam reinventar-se e nutrir a esperança de dias melhores. Acima de tudo sabiam que isto só dependeria do esforço e dedicação de cada um... Mãos à Obra!!! Disseram em uníssono, lançando a semente familiar de um Novo Tempo.

                          Sueli Meirelles, em Nova Friburgo, 20 de julho de 2020.
                   Psicóloga Transpessoal, Pesquisadora, Escritora e Palestrante.
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