Tradução

quinta-feira, 28 de abril de 2016

MUDANÇA DE MENTALIDADE - Comportamento



Em 1986, a UNESCO reuniu, em Veneza, um seleto grupo de cientistas, filósofos, artistas e líderes religiosos, com o objetivo de estudar os rumos seguidos pela nossa civilização. O resultado desses estudos mostrou que a humanidade, ao privilegiar o desenvolvimento de seu lado racional (o pensamento lógico e a busca de sensações, voltada para os estímulos externos) havia tomado o caminho da auto destruição. Estes estudos mostraram também, que a nossa civilização negligenciou aspectos importantes de seu psiquismo, tais como o sentimento e a intuição, perdendo contato com estes referenciais internos de orientação da vida.    Hoje, as classes mais favorecidas estão cercadas por uma grande quantidade de bens de consumo, sem que isto tenha efetivamente contribuído para a melhoria da qualidade de suas vidas. É comum encontramos pessoas com carros importados, sofrendo de hipertensão arterial e stress; têm celular e gastrite; têm sucesso econômico e gota ou artrite. Sem  consciência do significado do pedido de socorro traduzido por seus sintomas físicos, estas pessoas pagam um alto  preço emocional  para manterem o padrão de suas vidas, submetendo-se aos critérios que a nossa cultura consumista impõe: Força física, beleza física, status social e econômico. Neste processo, a humanidade afastou-se da natureza a qual pertence, perdendo a inteireza e o equilíbrio necessários a manutenção harmoniosa da saúde e da vida.
O caminho de retorno ao equilíbrio exige uma mudança de mentalidade, com o resgate da consciência em relação aos verdadeiros valores humanitários de simplicidade, honestidade, solidariedade, humildade, espontaneidade etc. (esta lista pode chegar a dois mil valores), sem os quais jamais se conseguirá alcançar a serenidade necessária para uma vida plena e feliz, por mais que se  acumule bens materiais. Ao resgatar valores existenciais, cada pessoa poderá perceber a necessidade da mudança de sentido em sua vida. Ao invés de se deixar dominar pelas pressões externas (pressões do poder econômico, de cima para baixo e pressões sociais, de fora para dentro), ela irá realizar o desabrochar  de si mesma (de baixo para cima e de dentro para fora), até alcançar a plenitude da própria existência. Ao permitir que este movimento natural ocorra, cada pessoa poderá descobrir que veio ao mundo para realizar um potencial que será medido pela sua capacidade de ser autêntica e espontânea.
A maioria das pessoas sequer tem consciência do quanto está distanciada de sua verdadeira natureza, forçando-se a cumprir modelos culturais pré-estabelecidos, em detrimento de sua própria felicidade. Interromper a caminhada da vida por alguns instantes, para refletir sobre tudo isto, pode ser o primeiro passo para o retorno ao eixo de si mesmo (a). Esta avaliação pode ser feita de forma bem simples. Cada pessoa somente pode ser o que realmente é. Quando ela se esforça para alcançar padrões que não condizem com suas tendências naturais, acaba se adulterando (mesmo radical lingüístico do adjetivo adulto) e, conseqüentemente perdendo sua capacidade de ser criativa (mesmo radical lingüístico de criança) e espontânea na expressão de si mesma.
  De posse destas informações, pare um instante, para avaliar: _Você está sendo você mesmo (a) ou está tentando encaixar-se nos modelos e padrões de sucesso que a sociedade estabelece?
Se você respondeu afirmativamente à segunda parte desta questão, está na hora de realizar uma mudança de mentalidade. Está na hora de sair do desvio de si mesmo (a) e procurar o seu próprio caminho existencial, porque você não veio ao mundo para atender as expectativas dos outros, mas para cumprir o seu contrato existencial e realizar um conjunto de potenciais que só você mesmo pode realizar, lembra-se?
Pecado é um termo latino, originado de pecus, que significa pés. Pecado é desviar-se do próprio caminho existencial...

Site: www.suelimeirelles.psc.br

suelimeirelles@gmail.com



(*) Sueli Meirelles – Especialista em Psicologia Clínica. Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral, Ecologia Integral e Educação para a Paz. Site: www.suelimeirelles.com. Email: suelimeirelles@gmail.com

domingo, 24 de abril de 2016

A HISTÓRIA DO MENINO "ESPERTO" - Conto Infantil



         Era uma vez um menino chamado “Esperto” e, por estranho que pareça ele realmente correspondia ao seu nome. Era, muito, muito esperto. Ele era um grande Sábio disfarçado de menino e havia simplesmente chegado até aquele grande colégio, num dia claro de primavera, ninguém sabe vindo de onde. Vivia, ali, com seus companheiros e sua atividade preferida era fazer bonecos de barro. Todos os dias ele pegava um pouco de argila, sentava-se na varanda do grande prédio e criava figuras cada vez mais primorosas.
            Vivia também, naquele mesmo colégio, outro menino, o “Anônimo”, que logo que Esperto terminava a sua obra e a colocava ao sol para secar, aproximava-se, sorrateiramente, pisando com força o barro ainda mole e transformando a obra artesanal num amontoado disforme. E a cada dia que o menino Esperto pacientemente fazia um boneco, o menino Anônimo o destruía. E nesse processo diário, o menino Esperto ia aperfeiçoando a sua arte e fazendo bonecos cada vez mais bonitos. Até que, um dia, o menino Esperto fez um boneco tão bonito que o menino Anônimo não teve coragem de destruí-lo. E a partir do dia seguinte o menino Esperto não fez mais bonecos. Cheio de curiosidade, Anônimo não se conteve e, aproximando-se também sorrateiramente de Esperto, perguntou-lhe porque não mais fazia bonecos.
_ “Porque você não mais os destrói!”, respondeu-lhe Esperto. Ao que Anônimo retrucou, muito sem graça: _ Mas este seu último boneco ficou tão lindo, que eu não tive coragem de destruí-lo!
_ Ah! Você descobriu a sua segunda tendência!, acrescentou Esperto.
            Sentindo-se  ainda envergonhado, mas curioso por não entender o sentido da frase, Anônimo voltou a perguntar: _ Que segunda natureza é essa?
            Muito atencioso e educado, o menino Esperto começou a explicar:
            _ A primeira tendência dos meninos em geral é destruir. Por isso eles saem quebrando tudo o que vêem pela frente. Conforme eles vão ficando mais espertos, eles aprendem a conservar aquilo que encontram de bom e útil, descobrindo, assim, uma melhor maneira de ser e de viver no mundo.
            Surpreso com a resposta, uma incrível vontade de saber mais começou a se apossar do menino Anônimo e ele voltou a indagar:
          _Qual é a terceira tendência dos meninos?
            _ A terceira tendência dos meninos é criar, descobrindo que eles fazem parte do mundo de Deus e têm a tarefa de colabora com a Sua Grande Obra de construção de um mundo cada vez melhor!
            _ Qual é a sua tendência? Indagou-lhe novamente Anônimo.
_A minha tendência é a quarta!
_E qual é a quarta tendência dos meninos?
_A quarta tendência dos meninos é aprender a usar com equilíbrio as outras três.
            _ Explique isso melhor!, Pediu-lhe o menino Anônimo, sentando-se no peitoril da varanda, ao seu lado.
            Diante da oportunidade de mostrar a sabedoria que fluía através de si, o menino Esperto atendeu prontamente o companheiro:
            _Preste bem atenção! Este grande prédio foi construído, há muitos anos atras, por um bom homem que também havia descoberto a sua tendência para criar e quis deixar no mundo, a marca da sua presença. Com o passar dos anos e dos muitos meninos que moraram aqui e também porque outras pessoas que poderiam cuidar deste prédio, não conheciam esta importante tendência dentro de si, o prédio foi ficando velho e feio, com vidros quebrados e portas arrombadas, como se por aqui tivesse passado um grande e destruidor furacão. Se todas essas pessoas tivessem descoberto a sua segunda tendência, a tendência de conservar, teriam cuidado melhor de tudo isto. E se fossem mais espertas ainda, teriam aprendido a criar e também teriam deixado a marca de suas passagens, melhorando cada vez mais a Instituição. Você já reparou que as pessoas que criam são lembradas para sempre, através de suas obras e quem destrói e critica é esquecido logo que morre?
            _Com um lampejo luminoso nos olhos atentos, o menino Anônimo indagou?
            Eu também posso aprender a ser esperto?
_Todos nós nascemos para sermos espertos! Você também é capaz de criar algo diferente e deixar a marca de sua passagem pelo mundo de Deus, tornando-o um pouco melhor! Experimente fazer assim: Quando adquirir alguma coisa, procure cuidar bem dela para que dure o seu tempo útil. Quando ela, por qualquer motivo, não servir mais para você, doe-a para alguém que precise; se estiver velha, agradeça a Deus pelo seu uso e devolva-a a natureza, ou seja, recicle-a, para que a matéria que a compõe, seja vidro, papel, lata ou plástico, possa ser reaproveitada. Procure aprender também a criar alguma coisa. Todas as pessoas têm essa capacidade, seja fazendo pão, pipas, pintando ou fazendo bonecos de barro como eu, ou qualquer outra coisa. Descubra o Dom que você traz dentro de si; seja persistente e vá treinando, até conseguir faze-lo da melhor forma possível. Dessa maneira, você estará usando as suas três tendências com equilíbrio, atingindo o grau máximo da sua esperteza!
            _Então é por isso que eu tenho o nome de Anônimo? Eu iria ficar esquecido, porque não sei criar nada?
            _Sim!! Vejo que você está ficando cada vez mais esperto! Ainda há bastante tempo para você começar a treinar e mudar esta maneira de ser, deixando de ser anônimo!
            _E como eu vou passar a me chamar?
            _Você será chamado de Co-Criador com Deus!... e este é um nome muito Esperto!!! Você passará a se sentir cada vez mais útil e importante, fazendo coisas boas para você mesmo e para as outras pessoas e isto irá contribuir para que o mundo a sua volta seja mais feliz.
O menino antes anônimo e desorientado parecia ter reencontrado a si mesmo. Repentinamente, uma luz se acendera no seu coração e iluminava o caminho a seguir. Sentia-se entusiasmado e preenchido por uma nova força, que o fazia saber que ele era capaz; que sua vida fazia sentido e que ele tinha uma tarefa a cumprir.
A partir deste dia tornou-se um hábito os meninos sentarem-se, à tarde, na varanda do grande colégio, rodeando o menino Esperto, que começava então a contar suas bonitas histórias. A cada dia, como se estivesse fazendo novas esculturas, o menino Esperto extraía daqueles jovens seres, as melhores formas que eles poderiam ter...

 Adaptado de um conto oriental para a realidade brasileira.

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suelimeirelles@gmail.com



 Sueli Meirelles – Especialista em Psicologia Clínica CRP 05/11601. MBA em Gestão de Projetos. Consultora em Desenvolvimento humano, Saúde Integral, Ecologia Integral e Educação para a Paz.
Escritora e Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais. Membro do CIT/ALUBRAT/UNIPAZ/IONS 


domingo, 17 de abril de 2016

O BRASIL DE TODOS NÓS - Política


Este é o Brasil de todos/todas nós: O Brasil da Paz, do Amor é da integração entre todas as raças, entre todas as crenças, entre todas as classes sociais, econômicas e culturais, que vibramos em Uníssono, a uma só voz, em tantos momentos do esporte, em que alcançamos alegremente a Vitória, de forma pacífica. Veja os belos exemplos de todos os nossos atletas, que nos representaram com tanta dignidade. Queremos essa dignidade de volta.Se há Paz e Amor por esse País, em seu coração, resgate esse sentimento, cante e compartilhe. Somos Todos Um!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

MENTIRA ´Comportamento



                Geralmente, quando escrevo um artigo, gosto de atualizar as informações sobre o tema, pesquisando na Web.
Motivada pelo presente momento brasileiro, decidi escrever sobre a mentira e, por curiosidade, busquei saber a origem do Primeiro de Abril, como o “Dia da Mentira”. Eis o que encontrei:
“A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos IX (1560-1574). Desde o começo do século XVI, o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes e animados bailes noite adentro, duravam uma semana, terminando em 1º de abril. Em 1562, porém, o papa Gregório XIII (1502-1585) instituiu um novo calendário para todo o mundo cristão - o chamado calendário gregoriano - em que o ano-novo caía em 1º de janeiro. O rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564, e, mesmo assim, os franceses que resistiram à mudança, a ignoraram ou a esqueceram, mantiveram a comemoração na antiga data. Alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior - apelidados de "bobos de abril" - presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o tempo, a galhofa firmou-se em todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo.” [2]
            Com relação aos ditados populares, todos nós sabemos que “Mentira tem perna curta”, mas em tempos atuais, parece-nos que, pelo esforço requerido por tanto andar de boca em boca, a mentira gastou as pequenas pernas e agora está se arrastando, nos estertores de seus últimos tempos de vida.
              Mas, será que realmente a mentira está com seus dias contados? Queridos leitores, como profissional de comportamento humano trabalho sob o enfoque da visão integral e da transdisciplinaridade, pesquisando informações, de diferentes fontes do conhecimento humano, para construir as probabilidades dos futuros cenários civilizatórios que se avizinham. Uma dessas fontes é um interessante estudo realizado no Instituto de Antropologia do México, por Fernando Malkun[3]. , estudioso da sabedoria das antigas civilizações. As profecias Maias por ele pesquisadas, que previam o final de um ciclo civilizatória em 2012, agora, mais do que nunca, nos permitem compreendermos tudo o que estamos vivenciando, em nosso país e no mundo.
            Historicamente, sabemos que as civilizações nascem, crescem e morrem, deixando, após sua passagem, um saldo de bem e evolução, apesar dos erros cometidos, que se acentuam em sua fase final. A civilização que hora termina, embora tenha nos trazido grandes avanços tecnológicos, em seus momentos finais, como aconteceu com as civilizações anteriores[4], caracteriza-se pela perda dos valores essenciais (tais como verdade, honestidade, integridade, probidade, solidariedade...), abrindo espaço para que cada um revele a si mesmo, tal como é. Este movimento é necessário, porque se uma pessoa se mostrar honesta simplesmente pelo medo da condenação social, não será honesta por foro íntimo; apenas estará sendo socialmente reprimida. Desse modo, o afrouxamento das regras morais em cada final de ciclo civilizatório tem por finalidade permitir que todos revelem suas mais íntimas tendências, sejam positivas ou negativas. Mas, você leitor deve estar se perguntando: _ O que a Segunda Profecia Maia tem a ver com tudo isto? Os Maias dizem que neste período, estaríamos todos no Salão dos Espelhos, que hoje nada mais são do que as diferentes formas digitais de registros de nossas experiências ( vídeos, emails, Whasapp, MP3, com registro de data e hora) que, como previsto por esse povo antigo e sábio, nos confrontam com nossa própria imagem e fala, para que, por nós mesmos, possamos avaliar a coerência interna entre o que falamos e o que fazemos. Nosso espelho mágico[5] e revelador, em tempos modernos são o Youtube, o Google e demais sites de pesquisas, nos quais basta digitarmos o nosso nome ou de quem quer que seja, para termos o histórico ou currículo virtual de todos os habitantes do Planeta Terra. Desse modo, entramos neste Tempo de Verdade; a Quinta Dimensão do nível informacional, onde todos os nossos pensamentos se revelam e se confrontam. Embora a princípio a tela mental esteja bastante confusa, estas revelações[6] irão nos ajudar a desenvolvermos o saudável hábito da verdade e da coerência entre o que falamos e o que fazemos, ajustando-nos a esse novo campo vibracional que estará regendo as relações pessoais, sociais, nacionais e planetárias, pelos próximos séculos. Portando, amigo leitor: Não se preocupe! O Império da Mentira realmente está ruindo. Nestes novos tempos, tudo ficará registrado no arquivo virtual da História da Humanidade, para a reflexão das futuras gerações. Assim sendo, Pergunto: _Que tipo de memórias nós vamos deixar para os nossos descendentes?...

                                                        Sueli Meirelles

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Veja a Segunda Profecia Maia:



[1] SUELI MEIRELLES: Especialista em Psicologia Clínica CRP/RJ 05/11601 (UGF). MBA em Gestão de Projetos na Abordagem Transdisciplinar. Há 33 anos trabalha com Hipnose Ericksoniana, Regressão de Memória e Reprogramação Mental.
 Pesquisadora, Fundadora e Coordenadora do CARROSSEL DE LUZ – Grupo de Pesquisas Noéticas
Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral, Ecologia Integral e Educação para a Paz.
Escritora e Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais
Membro do CIT/ALUBRAT/UNIPAZ/AME

[3] Fernando Malkún é mais conhecido no México que na própria Colômbia, seu país natal. Alcançou um notório reconhecimento em poucos anos quando realizou para a Caracol a série de televisão As Sete Profecias Maias e Conexão Atlante. Mais tarde, para o canal de TV a cabo Infinito, produziu a série O Olho de Hórus e Imhotep. Conhece mais de meio mundo e tem licença para ingressar nas câmaras secretas de templos. 

[4] Civilização Grega, Romana...

[6] Apocalipse quer dizer revelação.

domingo, 10 de abril de 2016

TRANSPARTIDARISMO - Política


            Nos primórdios da evolução humana, ciência, arte, religião e filosofia constituíam os quatro pilares do conhecimento, com estreitas ligações entre si. Principalmente a religião e a filosofia exerciam fortes influências sobre a arte, a ciência, e sobre as mais importantes decisões das civilizações antigas. Com os novos conhecimentos agregados através dos milênios, cada um destes pilares fragmentou-se numa infinidade de novas informações, transformando os saberes numa verdadeira Torre de Babel. A ciência dividiu-se em múltiplas especialidades; a arte seguiu caminhos por várias vertentes; a religião se multiplicou em centenas de seitas e a filosofia dividiu-se em diversas ideologias, que por sua vez deram origem aos partidos políticos, talvez por isso, chamados de partidos. Toda essa fragmentação criou entraves à compreensão mútua, dificultando a caminhada até um ponto de síntese, onde as diferentes ideologias pudessem se transformar em contribuições para soluções efetivas. Por outro lado, é de conhecimento público que todos os partidos sabem da necessidade de ações urgentes no campo da saúde, da educação, da ação social e do meio ambiente, sendo estes os pontos fortes de todas as campanhas políticas. Isto evidencia que quase não existem grandes diferenças de plataformas políticas, o que por si só, já poderia facilitar o diálogo.
            Para Pierre Weil, autor de “A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança”, lançado pela Editora Nova Era, este antigo modelo de mundo, que vigorou principalmente no último século, gerou uma visão dentro da qual a política tende a ser vista como meio de ganhar e exercer poder; ser importante, famoso e admirado, e segundo a qual, a oposição tem como principal objetivo barrar sistematicamente os projetos de governo. Tal estrutura política, que ainda predomina no mundo moderno, está nos conduzindo rapidamente para o caos absoluto. Neste sentido é bom lembrarmos que somos todos viajantes da Nave Terra e que ao destruirmos o nosso planeta estaremos também promovendo a extinção da nossa própria espécie. Diante dessa ameaça iminente à vida como um todo, surge a necessidade de uma imediata mudança de visão de mundo e de consciência, já que não dispomos mais de tempo para vacilações e jogos de poder, que coloquem os interesses pessoais acima da necessidade de sobrevivência da humanidade. Esta mudança de mentalidade exige que a política passe a ser vista como uma oportunidade de servir e contribuir de modo eficaz ao bem comum, no plano do indivíduo, da sociedade e da natureza, em que a oposição atue no sentido de cobrar eficiência e honestidade, corrigindo possíveis erros na aplicação dos programas de governo e não, entravando a sua realização.
            Diante dos graves problemas que todos nós enfrentamos no dia-a-dia, principalmente nos grandes centros urbanos, torna-se urgente que o partidarismo, voltado para alianças políticas que visam objetivos pessoais ou partidários, seja substituído pelo interpartidarismo e pelo transpartidarismo, onde os objetivos políticos poderão ser colocados acima dos interesses partidários, visando o bem da sociedade e do cidadão. Porém, para que estas mudanças efetivamente ocorram, torna-se necessária uma transformação interior do próprio ser humano; da maneira como ele se percebe e atua no mundo em que vive, substituindo-se o predomínio dos interesses materialistas e a tendência à corrupção, por valores éticos e espirituais, que tragam à consciência das lideranças políticas de todo o mundo, em todos os níveis, o sentido real da passagem de cada ser por este planeta. Se esta mudança não vier a acontecer, efetivamente pouco ou nada restará para as gerações futuras. O que deixaremos para elas? A própria história dirá...

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(*) Especialista em Psicologia Clínica (Hipnose Ericksoniana, Regressão de Memória e Reprogramação Mental) Escritora e Palestrante.