Tradução

domingo, 18 de janeiro de 2026


QUAL O LIMITE PARA O AUTOCONHECIMENTO? (*)

Culturalmente, a maioria das pessoas acredita que se conhece o suficiente, para dar conta dos desafios da vida. Tem lembranças de parte de suas memórias de infância e adolescência e uma visão razoável de suas habilidades e competências. Será que isto basta?

O psiquismo humano pode ser dividido em duas partes: O consciente ou Personalidade (Ego) que corresponde a cerca de 14% do potencial mental, com sua atenção voltada para as relações com o mundo externo. Entretanto, a parte mais importante, o inconsciente ou Individualidade (Self) contém potenciais inatos acumulados ao longo da trajetória evolutiva, o propósito de vida (o que você veio fazer no planeta? e comanda a fisiologia, através do sistema nervoso central, incluindo funções essenciais à vida, tais como a respiração e os batimentos cardíacos, independente de você dar atenção a elas ou não. Desse modo, o autoconhecimento vai muito além do que você possa imaginar em relação a si mesmo (a): Ele inclui suas memórias inconscientes relacionadas a fatos traumáticos de adolescência ou infância, que podem ter sido bloqueadas em função de dolorosas cargas emocionais, inclui suas memórias de nascimento, com detalhes precisos de todo o contexto do parto, se foi “normal” ou cesária, se teve algum imprevisto gerador de ansiedade, se foi rápido ou muito demorado... Seu inconsciente guarda as memórias da sua gestação: Se você foi desejado (a) ou não. Se o relacionamento entre seus pais era harmonioso ou não; se havia dificuldades financeiras ou doenças graves no contexto familiar em que você estava chegando... Em nível muito mais profundo, seu inconsciente guarda memórias do que Carl Gustav Jung chamava de Inconsciente Coletivo, a história da humanidade, através dos tempos, constituindo suas memórias transpessoais, que contém todas as suas experiências evolutivas, arquivadas através de imagens, sons ou sensações que interferem em seu comportamento atual de forma subliminar, mesmo que você não as recorde, alimentando os gatilhos para os sintomas de depressão, ansiedade e síndrome de pânico, além de muitos sintomas físicos, incluindo cardiopatias, disfunções gástricas, circulatórias e respiratórias etc., já que todo sintoma é mantido por uma carga emocional retida.

A partir da Anamnese (coleta de dados essenciais do histórico de vida do paciente) o Psicoterapeuta poderá aplicar técnicas de visualização criativa, para a identificação dos símbolos inconscientes que comandam o seu comportamento expresso e aplicar técnicas de Reprogramação Mental, trabalhando com os verbos no tempo presente e levando sua parte psíquica adulta, a parte que avalia, pondera e decide, com todos os seus recursos de solução, para acolher a sua criança ferida, cuidar dela do melhor modo possível e resgatar seus potenciais de espontaneidade, criatividade e alegria de viver. Este conjunto de potenciais de realização, quando trazidos à lembrança através da ampliação da sua consciência, são recursos essenciais para que você possa realizar o que veio realizar na sua existência, orientado (a) pela sua sabedoria interna, transformando você em co-criador (a) da sua nova realidade.

(*) Artigo publicado na Revista Statto

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