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domingo, 12 de agosto de 2012

LEGÍTIMA REPRESENTATIVIDADE


            A menos de dois meses das eleições municipais, vivemos a preocupação decorrente da falta de consciência política de nossa população. Principalmente os jovens, na faixa etária de dezesseis a trinta anos, sofrem as conseqüências da crise educacional, produtora de analfabetos funcionais, que lêem, mas não entendem o que lêem; que não sabem interpretar leis e desconhecem os seus direitos e deveres políticos. Eles são as vítimas naturais das manipulações eleitoreiras, que utilizam artifícios de marketing, em substituição às verdadeiras plataformas políticas, que deveriam ter por base a ideologia, os projetos e as realizações de cada candidato.
            Num país assolado pelas injustiças sociais e pela inversão de valores; num país onde cerca de trinta por cento dos candidatos, a exemplo do próprio povo, sequer concluiu o ensino fundamental, criam-se as condições ideais para a instituição dos ”votos de cabresto”, frutos de motivos outros que não a consciência política: Vota-se num candidato porque ele é bonito ou jovem, porque ele é da oposição, pelas benesses pessoais que  ele possa proporcionar, pelo impacto emocional de um discurso inflamado, ou pela indicação dos artistas famosos, imbatíveis  formadores de opinião, que vendem a sua imagem pública àqueles que não dispõem de argumentos políticos. Como nas propagandas de cigarros ou refrigerantes, não há como se enaltecer as qualidades do produto oferecido, sendo necessário criar-se uma idéia ilusória de que aquele candidato será o “salvador da pátria” capaz de, magicamente, realizar todos os sonhos da população carente de recursos e de informação. Aqueles que acompanham a história do processo político de nosso país, presenciaram, por diversas vezes, a repetição deste modelo.
            Neste contexto, cabe principalmente aos educadores e agentes de transformações sociais, o trabalho de conscientização sobre o verdadeiro significado do voto. O ideal de democracia, herdado da cultura grega - tão lembrado nas olimpíadas – tem por princípio básico o conceito de legítima representatividade. O termo legítimo refere-se àquilo que estabelece uma relação constante e necessária entre fenômenos. O termo representar, por sua vez, significa ser a imagem ou reprodução daquilo que se deseja representar. Na impossibilidade de que se realize sempre um plebiscito, para que o povo faça suas escolhas políticas, os representantes do povo são exatamente aqueles que escolhemos para defender, em nosso nome, nossos ideais de mundo. A legítima representatividade, portando, deve ter por base um conjunto de critérios de escolha. Nossos jovens, ainda com pouca vivência em processos democráticos, poderiam se exercitar, respondendo, para si mesmos, às seguintes indagações:
a)    Os motivos que me levam a escolher este ou aquele candidato estão baseados numa avaliação crítica de suas propostas? Ou estou votando de maneira inconseqüente, como fruto de minha revolta contra o sistema, ou ainda como expressão de meus conflitos emocionais com figuras de autoridade?
b)    O meu candidato compartilha da mesma ideologia (visão de mundo) que eu defendo? Procurei me informar sobre as suas propostas ou pretendo votar às cegas, deixando-me influenciar pelas pressões externas?
c)    O meu candidato tem uma identificação afetiva ou profissional com a comunidade para a qual está se candidatando? Ele surgiu de dentro da minha comunidade, para que possa representa-la com legitimidade? Ou ele é um candidato importado, em quem vou votar, porque acredito que o que vem de fora é sempre melhor?
d)     A plataforma política do meu candidato se propõe a solucionar os problemas que eu vejo na minha comunidade? Depois de eleito, posso confiar que ele estará acessível para unir esforços com os seus eleitores, e efetivamente realizar o que prometeu em campanha? Ou ele somente aparecerá na próxima campanha eleitoral?
e)    Considerando que a minha cidade é a minha casa mais ampla, posso confiar nele para administrar este patrimônio público, que também me pertence como cidadão? Ou acredito que devo entregar a chave da minha casa a qualquer desconhecido?
f)     Estou efetivamente exercendo os meus direitos de cidadania, ou vou jogar fora o meu poder de voto,  para  depois reclamar das conseqüências da minha falta de conscientização  política?

                               VOTE COM CONSCIÊNCIA
O mundo melhor que queremos para todos nós, depende do seu voto!
(*) Consultora em Abordagem Transdisciplinar

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A PROSTITUIÇÃO DA COISA PÚBLICA

                                                                        
                                                                      
            Não nos bastasse o Big Brother Brasil, como demonstrativo da decadência da cultura nacional, um outro Big Brother atraiu os olhares da população, na última semana. A mídia – o Olho que tudo vê - apontou para os bastidores do poder, onde o erário público estava sendo tratado de maneira vil e promíscua, sem os mínimos valores éticos que deveriam nortear aqueles a quem cabe gerir os bens públicos. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, alí estava institucionalizada a prostituição da coisa pública, como meio de obtenção de prazer para aqueles que perderam seus valores existenciais.
            Como estamos vivendo os estertores agonizantes de uma civilização decadente, não nos surpreende que tenhamos, hoje, os mesmos padrões éticos e morais que levaram tantas civilização antigas à extinção: Ênfase na satisfação dos desejos  e acúmulo de bens materiais.
            Quando analisamos os modelos de comportamento da primeira metade do século passado, observamos que havia uma pressão social muito forte para que as pessoas agissem de acordo com a moral da época e aquele que se desviasse desse modelo pré-estabelecido, tornava-se objeto de forte discriminação     e preconceito social.
 Na segunda metade do século passado, a cultura vigente privilegiou a ética do oportunismo e do lucro imediato, dissociado da capacidade de trabalho e da produtividade do indivíduo, o qual buscava enriquecer através de negociatas e especulações financeiras, deixando cair no esquecimento os valores defendidos até então. Esse afrouxamento permitiu que aqueles que procuravam manter as aparências de uma conduta honesta, apenas pelo medo da censura socal, tornassem explícita sua verdadeira natureza. Hoje, cada cidadão está totalmente livre para exercer sua ética pessoal por foro íntimo, sem que sofra qualquer tipo de pressão em relação a isto.
            Neste momento evolutivo, separa-se o joio do trigo. Para que se desenvolva a verdadeira ética, cada cidadão tem total liberdade de ser o que verdadeiramente é. Aqueles que no meio do atual caos social, expressam valores morais e éticos não o fazem por medo da censura mas, pelo contrário, compõem uma minoria social, muitas vezes ridicularizada pela maioria que preferiu a inversão valores que orientam suas vidas.
            Dentro deste contexto, o episódio da semana passada, afigura-se como uma fênix renascendo das cinzas da  civilização materialista em extinção. Nas palavras do próprio Secretário “Se eu não puder entrar pela porta da frente, a vida não vale a pena ser vivida.”Talvez este seja o ponto de partida para o retorno dos valores morais que se perderam. Quantos, entre os que se propõem a direcionar os rumos políticos deste país, sabem qual o sentido de suas próprias vidas? Quantos sabem, efetivamente, para que vieram ao mundo e que papel têm a desempenhar na sustentação da sociedade a que pertencem? Quantos, ao chegarem ao final da estrada terrena, deixarão aqui registradas as suas passagens, com alguma contribuição significativa e digna? Quantos sairão daqui moralmente mais endividados ainda? Com seus padrões éticos distorcidos, cristalizados pela idade, não parece viável esperamos que  consigam reverter tal modelo de mundo. Para eles  já é tarde demais...Entretanto, para os pais e educadores, integrantes deste povo tão espoliado em seus direitos,  mas que ainda têm nas mãos a tarefa de formar as novas gerações, fica a responsabilidade  de resgatar os valores éticos fundamentais para uma sociedade futura mais justa e equilibrada.  Uma sociedade para a qual os registros dos arquivos televisivos de hoje sejam apenas uma triste lembrança, de um tempo em que a cegueira humana chegou até a alma. Um tempo de escuridão moral que  esperamos que  não volte nunca mais a nos envergonhar de sermos brasileiros...

(*) Psicóloga, Educadora e Escritora

domingo, 5 de agosto de 2012

O BOM COMBATE

 

            Em tempos de Olimpíadas e Copa do Mundo, os atletas ou jogadores se perfilam, para ouvirem e cantarem os hinos de seus países. Fruto da história de cada nação, os hinos traduzem a trajetória evolutiva de cada povo, estimulando as novas gerações a adotarem aquela postura, diante da vida, e dos outros povos. Dessa forma, quando ouvimos os hinos nacionais de diferentes países, temos a compreensão de sua dinâmica psíquica; do inconsciente coletivo de cada povo. O Hino da Suíça, por exemplo, fala-nos da elevação da alma, da serenidade do contato com a natureza; fala-nos de paz e enlevo. O Hino da França relembra as sangrentas batalhas, das muitas guerras e revoluções, vividas pelo povo francês, referindo-se às mulheres e filhos degolados. O Hino do Japão faz referência aos musgos que crescem nas encostas veneráveis, traduzindo a sabedoria milenar daquele povo. O Hino Brasileiro ressalta nossas riquezas naturais e a liberdade que caracteriza o nosso povo.
            Estas características, belicosas ou pacíficas preservadas pelos hinos pátrios se expressam, também, no perfil de cada time, durante a peleja. Cada equipe será mais ou menos agressiva, segundo esta dinâmica psíquica preservada através da sua história.
            Na última Copa do Mundo, esta expressão de inconsciente coletivo esteve presente no jogo Brasil X Japão, num belo exemplo de leveza e técnica; de jogo limpo, durante o qual as duas equipes expressaram, com ética e empatia, a amizade que une os dois países.
            O bom combate é aquele em que a qualidade técnica de cada equipe, naturalmente conduz à vitória, sem a necessidade de artifícios menores (e às vezes tão violentos) que costumamos ver em outros jogos.
            Este exemplo de bom combate poderia ser aplicado a outros campos das relações humanas, seja entre pessoas, grupos ou nações.
Que bom seria se, ao invés de eliminar vidas na disputa pelos interesses pessoais, ou nas disputas pelos recursos da terra (origem de todas as guerras) pudesse simplesmente vencer o povo mais capacitado, o melhor naquilo que cada um é capaz de fazer, servindo de exemplo para a aprendizagem do outro.
Que bom seria, se este fenômeno de globalização técnico-esportiva substituísse as sangrentas pelejas da guerra fratricida, decidindo num simples jogo de futebol, o destino das nações.
Que bom seria se as divergências políticas, econômicas ou de qualquer outra natureza pudessem ser tecidas pelas tabelinhas elegantes, que traduzem o espírito de equipe de cada time.
Que bom seria se toda sociedade brasileira pudesse sempre se unir, com este espírito de comunhão e de unidade que se expressa em tempos de copa do mundo, para vencer os desafios contemporâneos, transformando-nos em hexa-campeões da paz, da ética, da honestidade, saúde, educação... e de todas as bandeiras tão bem defendidas nos períodos eleitorais
Que bom seria se cada cidadão brasileiro, consciente de sua posição no Time Nacional Brasileiro, jogasse para a melhoria da qualidade de vida de todos nós, ao invés de jogar apenas a favor dos seus próprios interesses pessoais.
Que bom seria se o brilho das estrelas que já conquistamos, pudessem traduzir a vontade, a sabedoria, o amor, a paz e a harmonia de nossa nação.
Que bom será se as novas medalhas e estrelas conquistadas puderem nos trazer a fé e a autoconfiança que todos nós precisamos, para vencermos as adversidades que se interpõem entre a nação brasileira e o seu destino de país campeão...

Sueli Meirelles - Torcedora brasileira.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

RELIGIÕES E ESTADOS DE CONSCIENCIA


Foto do III Unificação - Congresso de Diálogo Inter-religioso, realizado em Nova Friburgo, em 27 e 28/07/2013.
 
            Um dos aspectos mais importantes da Transreligiosidade é o respeito a todas as Tradições Religiosas e a compreensão da função evolutiva de cada uma delas. Cada Tradição traz sua contribuição ao processo evolutivo, acolhendo cada ser humano, no momento em que ele se encontra, na escalada ascensional.
Dentro da Abordagem Transdisciplinar e Visão Integral do Ser Humano, cada Tradição Religiosa corresponde a um Estado de Consciência, que se expressa através da forma de culto que o caracteriza.
O primeiro estado de consciência, o material, está relacionado às glândulas supra-renais, aos bens materiais e à expressão concreta da fé, através da utilização de imagens ou ícones representativos dos arquétipos ou modelos, que são cultuados como Santos. Neste nível, a religiosidade também é expressa pelas ações sociais e solidárias, de ajuda material ao próximo. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o homem social e para a sociedade como um todo.
O segundo estado de consciência, o sexual, está relacionado às gônadas, ao prazer sensorial e à expressão da fé através dos cantos e ritos voltados para os cultos às forças da Natureza; aos Elementais do Fogo, da Água, do Ar e da Terra. Estas são tradições religiosas mais antigas, que em suas origens cultuavam a Grande Mãe, a divindade feminina que simboliza Gaia,  a Terra. Têm origens nos cultos das civilizações pagãs e matriarcais, que antecederam o surgimento histórico do patriarcado, há três mil anos atrás. Neste nível, o pensamento também é concreto e voltado para a Natureza.
O terceiro estado de consciência está relacionado ao Baço, às relações de poder, expressando a fé através da obediência a Entidades Personativas e de postura paternal, que cuidam daqueles que buscam a sua ajuda. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o Ser Humano, dentro de uma visão ancestral, cujas origens remontam à Atlântida e mão da África, como muitos imaginam.
O quarto estado de consciência está associado à glândula Timo, ao sistema imunológico, e à expressão da fé através do sentimento de inclusão do outro, considerado salvo pela Graça de Deus, independente do que ele tenha feito. Estas tradições têm a crença de que o arrependimento e a aceitação dos ensinamentos sagrados são suficientes para a salvação, anulando, através do perdão, todos os pecados anteriormente cometidos. Neste nível, o pensamento é concreto e voltado para o Ser Humano, ainda dentro de uma visão patriarcal.
O quinto estado de consciência está associado à glândula Tireoide, ao conhecimento, ao poder do verbo e à compreensão racional das Leis Divinas. Considera que a evolução depende das obras realizadas por cada um, através da caridade ao próximo, e através do autocontrole consciente dos impulsos negativos. Neste nível, o pensamento é abstrato e voltado para o Ser Humano, dentro de uma visão de responsabilidade pela própria evolução
O sexto estado de consciência está associado à hipófise, à terceira visão e ao autoconhecimento. Considera que a compreensão das Leis de Deus ocorre através do processo de Iluminação Interior, quando a Individualidade permanente pode transparecer seus atributos, através da Personalidade, exercendo domínio sobre os desejos inferiores do Ego, até alcançar a transfiguração. Neste nível, o pensamento é abstrato e voltado para o encontro com o Self, dentro de uma visão de individuação, ou expressão de si mesmo.
O sétimo estado de consciência está associado à glândula Pineal e corresponde à expressão da dimensão espiritual do Ser, quando a religiosidade é expressa através do comando do verbo e das Energias Sagradas ou Atributos Divinos, para evoluir através do serviço grupal, realizado nos chamados Mundos Internos (Estado de Consciência de Unidade com tudo e com todos). Neste nível, o pensamento é abstrato e simbólico, voltado para a Humanidade, dentro de uma visão de Unidiversidade.
Como resultado da evolução espiritual, as melhores energias, de cada Ser, vão se acumulando num Corpo Causal, fora do corpo físico. Este oitavo centro de energia corresponde ao simbolismo da Pomba do Espírito Santo, cuja carga acumulada e transbordante de Amor, transmuta as partículas de matéria em energia, elevando-o através do fenômeno da Ascensão.
A ignorância da interligação entre os estados de consciência e as práticas religiosas vem gerando sectarismos e preconceitos, que podem se tornar muito perigosos, por nos reconduzirem ao obscurantismo do pensamento religioso da Idade Média, cujo triste resultado histórico foi a “Santa Inquisição”, quando, em nome de Deus, sacrificava-se o corpo, com a intenção de salvar-se a alma.
Principalmente no Brasil, este verdadeiro caldeirão cultural onde todas as religiões têm convivido pacificamente até agora, torna-se urgente que os líderes religiosos (aqueles que têm acesso ao conhecimento teológico) possam estar atentos para o esclarecimento das distorções, no sentido de que a população compreenda que independentemente da Tradição escolhida, todos somos irmãos, e podemos nos reunir em torno d’Aquele que representa a Síntese Religiosa para este difícil momento planetário, e que a este respeito, nos diz: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só  pastor” (João 9/16).

(*) Psicóloga Clínica Transpessoal, Hipnoterapeuta e Terapeuta de Regressão. Estudiosa dos fenômenos psicoespirituais há 39 anos. Escritora, Palestrante em autora de artigos, livros, lives  e blogs, integrando autoconhecimento profundo e espiritualidade.

Site: www.institoviraser.com
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quinta-feira, 5 de julho de 2012

CIENCIA X RELIGIÃO


     Durante muitos séculos, ciência e religião seguiram diferentes caminhos, buscando explicações para a vida como um todo. Enquanto a religião se situa como um conjunto de crenças que orientam a vida de cada pessoa, baseando-se em concepções filosóficas, sentimentos e motivações inconscientes, a ciência acredita que é científico apenas aquilo que pode ser observado através dos cinco sentidos ou da ampliação destes, por meio de aparelhos. A ciência também acredita que um fenômeno, para ser considerado científico precisa ser reproduzido nas mesmas condições, obtendo-se os mesmos resultados. Como vemos, embora sejam sistemas de crença diferentes, ciência e religião baseiam-se num conjunto de pressupostos sobre os quais fundamentam suas verdades.
  Estes conflitos surgem pela fragmentação do conhecimento, em decorrência do paradigma científico newtoniano-cartesiano, visão de mundo que predominou nos últimos trezentos anos. A proposta de ampliação do paradigma científico para a Abordagem Transdisicplinar Holística poderá criar um espaço de encontro, onde os vários saberes possam contribuir para a compreensão da vida, do homem e do sentido de sua existência no mundo. Para que isto possa ocorrer, torna-se necessário que as religiões cedam parte dos seus dogmas e que a ciência amplie sua visão.
 O método científico inclui quatro etapas: Hipótese, verificação aceitação ou rejeição desta hipótese. Se os seres humanos puderem renunciar às suas verdades absolutas para reconhecer, com humildade, que nenhum saber pode dar conta da totalidade da experiência humana, torna-se possível começarmos a encontrar as respostas para todas estas dúvidas, ao invés de criarmos polêmica, a partir da posição intransigente de cada parte. Se os fenômenos religiosos começarem a ser submetidos à experimentação científica, informações guardadas no inconsciente mais profundo do próprio homem, e que se reportam a própria história da humanidade, poderão trazer novos dados à compreensão da vida. Por outro lado, os recentes estudos sobre a consciência humana mostram que a percepção da realidade é uma função do estado de consciência em que o indivíduo se encontra. Sendo assim, pessoas em diferentes estados de consciência terão diferentes percepções da mesma realidade, ou perceberão diferentes realidades, e uma somente alcançará a verdade da outra, quando alcançar o mesmo estado de consciência. Isto significa dizermos que não existe neutralidade científica e que, antes de tudo, torna-se necessário o desenvolvimento de uma ética que permita a convivência entre diferentes opiniões, para que se possa criar um campo de respeito mútuo, dentro do qual estas pesquisas possam ser realizadas. Depois disto, ainda será necessário buscarmos a definição etimológica de cada termo utilizado em ciência e em religião, para que se possa falar a mesma linguagem, e alcançar a compreensão daquilo que se está querendo significar, para que depois seja possível estudar o assunto. O que tem impossibilitado este estudo, até hoje, é o fato de que, cada parte resista atrás do muro de suas convicções, não abrindo passagem para os questionamentos que poderiam trazer luz à questão.
Todos aqueles que se dispõem a dialogar sobre o assunto, em condições de ética e respeito mútuo, muito poderão contribuir para os estudos sobre este fascinante tema que é o sentido da religiosidade humana. Venha participar do Carrossel de Luz Virtual.    www.institutoviraser.com                                          Whatsapp 55 22 99955-7166

quarta-feira, 4 de julho de 2012

SEMENTES DE LUZ - Conto



            O grupo do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas chegou à Escola do Ser e do Saber e encontrou a Turma Dois conversando sobre a Paz. Era uma turma de cerca de 30 crianças de olhos brilhantes e rostos sorridentes, que desejaram boas vindas ao grupo. Uma das visitantes lhes disse:
            _ Vim lhes contar um segredo. Vocês sabem que as plantas têm sementes!...
            _ Sim!!! Responderam as crianças em coro.
            _Mas, vocês sabem que as crianças também têm sementes?
_ Como assim? Indagou a “Menina do Rosto Bonito”, demonstrando surpresa.
A “Visitante” explicou:
            _Quando as crianças nascem, Deus coloca uma Semente de Luz na Câmara Secreta do coração de cada uma.
            _Coração tem câmara secreta? Perguntou o “Menino Muito Esperto”. Eu nunca ouvi falar disso?!
            _ Sim! Respondeu a “Visitante”. Você já viu, nos livros de ciências, que dentro do coração existe um Vazio? Este Vazio chama-se ventrículo. É como se fosse uma gruta: A Gruta do Coração. Dentro dela Deus colocou a Chama da Vida, que é a Sua Presença no coração de cada criança. Esta Luz, que é muito bonita, é composta por três chamas: Do lado esquerdo fica a Chama Azul da Vontade de Deus para a vida de cada criança; do lado direito fica a Chama Rosa do Amor Incondicional de Deus por cada criança e, no centro, está a Chama Dourada da Sabedoria de Deus em cada uma.
            _E para que servem essas Chamas? Indagou a “Menina Atenta”.
            _ Esta Chama Tríplice (formada por três partes), além de ser a Semente da Luz de Deus dentro do coração de cada criança, também constitui os recursos, os Dons Divinos que Deus concedeu a cada uma, para ajudá-las a percorrem os caminhos da vida. Em muitas situações, as crianças precisam da Força que vem da Vontade Divina, para persistirem em suas metas e objetivos. As crianças também precisam se sentir amadas. Por isso, Deus também coloca a Chama Rosa em seus corações, para que elas saibam que Ele as ama e aceita do jeitinho que cada uma é.
            _ Então eu não preciso mudar em nada? Perguntou o “Menino Curioso”, que também queria aprender.
            _O que você tem a fazer é cuidar dos Dons que Deus colocou no seu coração, para que eles cresçam cada vez mais. Esta é a melhor mudança que você pode fazer. Você é um Projeto de Deus, uma Semente de Luz que Ele plantou na Terra, para que você se cuide e seja o melhor menino que você possa ser. Quanto mais você revelar, em suas ações, os Dons que Deus lhe concedeu, mais você estará fazendo a Sua Vontade.
            As crianças são as flores do Jardim de Deus. Cada uma é de um jeito diferente; cada uma revela uma Qualidade Divina, dando colorido ao jardim. Que graça teria um jardim, se todas as flores fossem da mesma cor? Deus, em seu amor Incondicional, espera, no silêncio do seu coração, que você se preencha com esse Amor e o coloque em tudo o que faz, para que fique o mais bonito possível. Por exemplo: Quando você sorri com amor, elogia com amor, as pessoas ficam mais felizes. Quando você trabalha com amor, fazendo o que mais você gosta seu trabalho também fica mais bonito. O mesmo acontece quando você cuida das plantas e dos animais com amor. Eles ficam mais bonitos e saudáveis.
            Um outro recurso que Deus colocou no coração das crianças foi a Sabedoria. Ela é uma Chama de cor Dourada, que ajuda as crianças a fazerem as melhores escolhas em suas vidas, realizando o que vieram realizar na Terra, Segundo o Plano de Deus.
_ Deus tem um Plano para a vida de cada criança? Indagou a “Menina Carinhosa”.
_ Sim, respondeu a “Visitante”. Mas este Plano é apenas um projeto, que Deus permite que você realize ou não, segundo seu livre arbítrio, porque Deus quer que você faça isto, não por obrigação, mas pela sua própria vontade, por saber que Deus quer sempre o melhor para você. Ele quer que você seja feliz. Por isso, quando vocês tiverem dúvidas sobre qual o caminho a seguir, perguntem aos seus corações. Dentro deles, a Sabedoria de Deus espera para ser revelada.
            As pessoas adultas também têm essas Chamas no coração? Perguntou a “Menina de Olhos Brilhantes”.
_Sim. Todas as pessoas têm. Só que algumas, com o passar da idade, esqueceram o caminho do coração e, agora, ficam procurando a felicidade nas coisas do lado de fora.
_ Então, a felicidade mora no coração de cada pessoa? Indagou o “Menino Tranqüilo”.
_ Sim, disse a “Visitante”. Este é o Segredo que eu vim lhes contar. Vocês são Sementes de Luz que precisam ser cuidadas para que fiquem cada vez mais brilhantes, concretizando aquilo que mais amam fazer, com Vontade e Sabedoria. Agindo assim vocês estarão construindo um Mundo Melhor, onde a Harmonia reinará entre todos os Seres.
Ao sair a “Visitante” lhes disse:
_Que nesta data, Maria, A Mãe Divina os Abençoe e os cubra com seu Manto. Paz e Luz!

                                                     Belo Horizonte, 11 de Maio de 2008.

                                                                        Sueli Meirelles


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terça-feira, 3 de julho de 2012

O QUE A PSICOLOGIA NÃO É


            Regulamentada como profissão em 1964, a Psicologia ainda convive com as conseqüências decorrentes de ser uma profissão nova. Sua imagem varia do descrédito ao místico, poucas vezes sendo compreendida em sua dimensão técnico-científica.
            Procurar um Psicólogo, para muitas pessoas significa “não estar bom da cabeça”; procurar alguém para “conversar”; ter um “amigo pago”, disponível para ouvi-lo. Outros, não procuram um Psicólogo por acreditar que o profissional irá tentar “fazer a sua cabeça”, tentar convencê-lo de que está “errado” e “corrigi-lo” em suas “imperfeições”. Outros, ainda, projetam na figura do Psicólogo a expectativa de que ele vá fazer com que a criança ou adolescente por ele atendido, se submeta às expectativas das figuras de autoridade com quem convive, desconhecendo e desconsiderando a Sabedoria Maior que habita o interior de cada Ser Humano. O mesmo acontece com os maridos e com as esposas de clientes em terapia. É como se todos acreditassem que o mundo seria bem melhor se fosse do seu próprio jeito, e que o Psicólogo é o profissional qualificado para promover esta reforma interior, no outro.
            O que efetivamente poucas pessoas sabem, é que o Psicólogo não fará nada disso, pois a psicoterapia é um processo de auto-descobrimento, iniciado por alguém que está insatisfeito com o próprio modo de ser, com a própria vida, e tem a coragem de realizar este trabalho de Reprogramação Mental, orientado segundo seus próprios valores e objetivos de vida. Nesta viagem interior, o psicólogo irá atuar como um facilitador do autoconhecimento do cliente, algumas vezes funcionando como um espelho onde ele poderá se ver, sem censuras ou julgamentos desnecessários, justamente para que possa promover algum tipo de mudança interna. Como companheiro evolutivo, o Psicólogo é o ponto de apoio para o mergulho, descoberta, esvaziamento emocional e retorno das profundezas do inconsciente, possibilitando um novo modo de ser e de estar no mundo. Ao contrário do que muitos pensam o objetivo da psicoterapia não é corrigir o comportamento; ela objetiva identificar potenciais negativos, aceitá-los como sendo seus, dissolvê-los à luz de uma nova compreensão, liberando este potencial psíquico, antes negativo, para novas ações, mais positivas, no tempo presente. Significa também, muitas vezes, encontrar potenciais positivos, até então desconhecidos.
O cliente que procura a psicoterapia está aprisionado por suas próprias memórias, quer sejam conscientes ou inconscientes, a outros momentos do tempo existencial. Quando ele se prende ao passado, sofre com o fato de que o mundo não seja mais o mesmo do tempo de sua infância ou juventude, tornando-se depressivo e angustiado; quando ele se prende ao futuro, entra em estado de ansiedade, temendo que os seus desejos mais íntimos não se realizem. De uma ou de outra forma, ele deixa de viver o presente, dádiva evolutiva que a vida oferece ao Ser Humano, para o seu próprio aperfeiçoamento.
Nos pontos de bloqueio, provocados pelo medo que a mente consciente tem diante do desconhecido, o psicólogo pode utilizar técnicas específicas que facilitem a travessia do bloqueio, até o seu foco de conflito, para que ele seja esvaziado, e transformado em recursos psíquicos positivos, para o atual momento de vida.
            Partindo do princípio de que todo Ser Humano tem, dentro de si mesmo, uma Essência positiva, o Psicólogo tem a tarefa de ajudar o seu cliente a desvelar estes potenciais de auto-realização, que na maioria das vezes, estão soterrados por séculos ou milênios de condicionamentos culturais e educacionais, que sempre disseram que o indivíduo não é bom o bastante; que não nasceu para dar certo; que nasceu para sofrer; que não pode errar; que tem que ser castigado, e tantas outras crenças auto-limitantes, que impedem o desabrochar do próprio Ser.
            Hoje, decorridos cerca de cem anos da descoberta realizada por Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, de que o Ser Humano possui um inconsciente (representado no cérebro pelo sistema nervoso autônomo) que influencia o comportamento, independente de sua vontade consciente, uma nova e importante descoberta ocorreu: Na década de 70, Bandler e Grinder, desenvolveram a Psiconeurolíngüistica, o conhecimento de como o inconsciente se comunica, através de uma linguagem simbólica – a metáfora. De posse deste fantástico instrumento de compreensão de como são registradas todas as experiências de vida, através de sons, imagens e sensações, tornou-se possível transformar os símbolos inconscientes negativos, em símbolos positivos, facilitando-se a libertação do cliente, em relação a padrões inconscientes auto-limitantes, que o impediam de realizar todo o seu potencial humano, sem que se interfira na escolha de seus valores e objetivos de vida .
            Estes novos recursos técnico-científicos oferecem ao Psicólogo, instrumentos efetivos de atuação terapêutica, para acompanhar a viagem interior do cliente, sem direcioná-lo segundo os critérios do profissional ou da sociedade, para que a verdadeira natureza daquele Ser Humano possa se expressar em sua totalidade. Dentro deste novo enquadre, o espaço terapêutico transforma-se num momento único de encontro, de interior para interior, despertando o cliente para o sentido essencial de sua vida.