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sexta-feira, 15 de junho de 2018

O DIA EM QUE AS MULHERES ENTRARAM EM GREVE - Conto


            João acordou no horário habitual, para trabalhar. Seria um dia como outro qualquer, não houvesse algo de estranho no ar, a começar pela expressão de Maria, já desperta, mas ainda recostada na cama. Seus olhos tinham um brilho intenso, acompanhado por um sorriso enigmático e ligeiramente divertido.
            Sem dar mais importância ao detalhe, João entrou no banheiro, para a sua higiene matinal. Ao sair, Maria continuava recostada sobre o travesseiro, absorta com as mensagens virtuais. Incomodado com a postura dela, João disparou o comando para que ela tomasse a iniciativa de sua rotina habitual, colocando tudo no seu devido lugar:  _ Vamos tomar café?
            Maria olhou para ele, com seu olhar brilhante e sorriso enigmático e respondeu: _ Querido, bom café para você! Hoje é meu primeiro dia de greve!
            _Greve de que, se você é Dona de Casa?
            _Por isso mesmo! Respondeu ela. E continuou: _Quando é que Dona de Casa se aposenta?
            Nunca!!! Respondeu João automaticamente. Desde que o mundo existe é assim!... É a ordem “natural” das coisas! As mulheres nasceram para cuidar da casa, do marido e dos filhos!
            _E você acha isso justo? Perguntou ela.
            Pensando que talvez Maria estivesse “naqueles dias” de mau humor, João decidiu sair de casa mais cedo e tomar café na lanchonete perto do escritório, onde uma simpática e atenciosa garçonete o servia com presteza... Seguindo de carro pela avenida principal, viu alguns grupos de homens em conversas agitadas pelas esquinas. Embora achasse estranho, não deu muita atenção ao fato. João se orgulhava de ter foco e objetividade. Ao chegar à lanchonete, estranhou que, diferente do habitual, só houvesse homens no recinto e a simpática garçonete não estivesse lá. Quando o garçom veio atendê-lo, perguntou pela moça.
            _Ela hoje está em greve! Respondeu o garçom, com um sorriso irônico.
            Tal resposta provocou certo desconforto no estômago de João, mas de imediato, avistou um amigo entrando na lanchonete e fez-lhe sinal para vir sentar-se à sua mesa.
_E aí! Tudo bem? Indagou.
_Tudo bem como, cara! Minha mulher parece que ficou maluca! Acordou hoje, pela manhã, dizendo que está entrando em greve!
            GREVE!!! Soou o alarme dentro do João, provocando-lhe taquicardia. Neste momento, um dos homens no grupo da mesa ao lado, levantou-se e falou para os demais presentes: _ Algo de muito errado está acontecendo, hoje! Descobrimos que nossas mulheres entraram em greve. Vejam que absurdo! Parece que combinaram pelo Whatsapp. A campanha está viralizando nas Redes Sociais!...
            _ Mas o que elas estão reivindicando? Perguntou João.
            _Amigo! A lista é enorme e ridícula! Estão exigindo salários por cada uma das tarefas desempenhadas em casa: Cozinheira, lavadeira, arrumadeira, enfermeira, babá, administradora, contadora, economista, mediadora de conflitos familiares... Algumas mulheres mais radicais estão reivindicando também pagamento pelas horas dedicadas ao sexo. Que coisa mais estapafúrdia!!!
            _Mas eu pago faxineira! Argumentou o homem sentado numa mesa mais distante. O orador continuou, mostrando-se bem informado sobre o movimento grevista feminino:
            _ Elas dizem que os serviços prestados por terceiras podem ser descontados da lista. As que trabalham fora, estão argumentando que este termo “trabalhar fora” é discriminatório e evidencia a sobrecarga do trabalho feminino. Dizem que trabalham fora, dentro, à direita, à esquerda, em cima, em baixo (rrss)!... As mulheres piraram de vez! As provedoras, argumentam, ainda, que nunca deram despesas para os seus maridos, inclusive em relação aos planos de saúde dos filhos, descontados em seus contra-cheques. Também sinalizam os excelentes presentes de Natal, aniversário, Dia dos Namorados, partilha de despesas de jantares e viagens. Muitas alegam que sustentam a casa e os maridos. Diante das novas informações, o alvoroço na lanchonete generalizou-se pelos presentes, evidenciando forte indignação.
            _Que coisa maluca! Só quero ver quanto tempo vai durar isso! Resmungou para si mesmo, um senhor sentado numa mesa isolada. Já havia algum tempo ficara viúvo e morava só, fazendo ele mesmo suas tarefas domésticas, por conta dos parcos recursos da aposentadoria. Sentia-se a salvo do problema...
            Enquanto a notícia ia-se espalhando pela cidade, os aturdidos cidadãos descobriram, através do noticiário (masculino) de plantão, que o movimento havia tomado proporções nacionais e começava a expandir-se para outros países, principalmente os países latinos e muçulmanos, onde a cultura machista predominava.
            Ainda confusos e sem terem organizado um consenso em termos de ações repressivas em relação à “Greve de Mulheres”, os homens decidiram seguir para seus locais de trabalho, com a expectativa de que, à noite, tudo houvesse voltado ao “normal”, com possibilidade de pazes entre os lençóis perfumados com alfazema... Mas não foi o que aconteceu. Parece que não havia ninguém para perfumar os lençóis com alfazema... Ao chegar à casa, João encontrou Maria servindo o último alimento no jantar das crianças, que animadas, esperavam Mamãe, alegremente, para novas brincadeiras. As grevistas haviam combinado entre si, que os serviços essenciais devidos às crianças, idosos e doentes seriam mantidos. Desconhecendo esse detalhe, João respirou fundo e ainda segurando a sua irritação, saiu do apartamento em busca de algo para comer na rua. Neste momento, temeu que o restaurante mais próximo não tivesse um cozinheiro homem. Era só o que faltava acontecer!...
            Em represália ao abuso, João resolveu dormir no sofá da sala e nele permaneceu durante a semana em que a greve continuou. Até o oitavo dia, quando percebeu que suas roupas de trabalho estavam amontoadas na área de serviço e que não havia mais cuecas para trocar... Neste momento sua boca explodiu em palavrões. Falou todos que conhecia e inventou mais alguns, tamanha era a sua raiva. Decidiu vestir a mesma roupa do dia anterior, juntando as demais num saco de lixo, para deixar na lavanderia. Quando lá chegou, o dono o informou que não poderia receber suas roupas porque a duas funcionárias também estavam em greve e ele não sabia como ligar as máquinas.  Retornando com sua trouxa de roupas sujas ao carro, João lembrou-se de que, em casa, nunca havia ligado a máquina de lavar, tarefas habituais de Maria e da faxineira. Como fazer? Ele não poderia ficar indefinidamente sem trocar de roupas. Será que o manual de instruções da máquina ainda estaria em alguma gaveta? Mas quem organizava todos os papéis e documento da casa era Maria... Será que Maria estaria disposta a ensiná-lo a usar a máquina de lavar? Sentiu-se humilhado com a situação e pensou em outra estratégia: _Quanto ela poderia cobrar se ele lhe propusesse pagar pelo serviço?... Mas não teve coragem de lhe propor, esperando que a situação ainda se resolvesse por si mesma.
            Chegando à casa, com as roupas sujas, João viu que Maria brincava com as crianças, enquanto a máquina lavava as roupas dela e dos menores. Pura discriminação! Pensou, ressentido. Para onde foram as juras de amor e os votos de fidelidade na riqueza e na pobreza? Para seu maior desconforto, a greve havia chegado, também, ao leito conjugal... Indignado e convicto de suas razões pessoais, João considerou que não havia mais clima para a manutenção de nenhum tipo de voto e decidiu ir dormir num Motel. Precisava espairecer e se divertir um pouco. Mas, para seu total desespero, as prostitutas também haviam aderido à greve. Alegavam que seus corpos mereciam respeito e não mais seriam usados como vasos de esperma. Protestavam contra os abusos sexuais na infância, alegando que esses traumas às conduziram às ruas. O dono do prostíbulo, já bastante calvo, arrancava seus últimos fios de cabelo, gritando, desesperado: _Estou completamente falido!!!!
            Passados quinze dias, João viu emergir, à sua volta, uma série de imprevistos que nunca havia imaginado: Maria decretara que o banheiro da suíte seria para o seu uso e o das crianças. No banheiro social, a toalha sempre úmida, contava os dias em que permanecera ali, sem sequer tomar sol ou ser trocada. As roupas de cama, jogadas no sofá da sala, onde agora dormia, não estavam em melhores condições, com a fronha do travesseiro amarelada pelo suor do seu rosto. Enquanto isso, a  ‘Greve de Mulheres” continuava firme e forte. A Primeira Dama, “Bela, Casta e do Lar”, também decidira aderir ao movimento, assim como as esposas e amantes de todo Congresso Nacional. Sentindo-se pressionado, o Presidente Temeroso, com olheiras profundas e um terno surrado, por conta da greve de suas assessoras femininas, fez um pronunciamento em cadeia nacional, propondo ceder às reivindicações. Afinal, segundo seus também temerosos assessores, a população feminina era maioria, com menor índice de analfabetismo do que o masculino e muitas delas, financeiramente independentes e provedoras de família[1]. Como haviam deixado isso acontecer?... A situação, agora, estava totalmente fora de controle!
            Vereadoras, Deputadas e Senadoras preparavam Projetos de Leis para a promoção do equilíbrio entre o masculino e o feminino; entre o prover e o cuidar dentro de cada ser humano, para por fim a Guerra dos Sexos, com base no livro do mesmo nome, de autoria do Psicólogo Frances Pierre Weil, felizmente disponível para todas, em PDF[2]. Para dar suporte ao movimento, as parlamentares decidiram também criar “Círculos de Mulheres” em cada cidade, como fóruns para a síntese das principais questões emergentes: A principal bandeira era a aposentadoria efetiva para todas as Donas de Casa, aos 70 anos, criando estruturas sociais que dessem suporte à proposta de acabar com o modelo social desumano, que forçava mulheres idosas a cuidarem de suas casas, enquanto se agüentassem de pé. Havia muitos conflitos a serem mediados[3]. Começaram a estudar e criaram uma Biblioteca, com livros pertinentes ao assunto. Realmente, a vida nunca mais seria como antes. As mulheres haviam aprendido a prover e os homens precisariam, urgentemente, aprenderem a cuidar... Inclusive de si mesmos!
            João acordou meio tonto, no meio da noite, sentindo a boca seca e o coração palpitante. Para seu espanto, percebeu que Maria dormia tranquilamente ao seu lado, na mesma cama. Não compreendeu. Quando chegou à cozinha, olhou para a área de serviços e viu suas roupas no secador, como de hábito. Percebeu que havia tido um pesadelo. Um terrível pesadelo, diga-se de passagem!... Passou o resto da noite insone, refletindo sobre o acontecido.
            Ao amanhecer, levantou-se devagarzinho, para não acordar Maria... Depois da higiene pessoal, preparou o café, colocou numa bandeja, não sem antes acrescentar uma pequena e singela flor, numa jarra-tulipa, deixando tudo na mesinha ao lado dela. Viu que ali havia também livros que nunca percebera. Entre eles, O Fim da Guerra dos Sexos, de Pierre Weil[4]... Teria tido um sonho premonitório? Pensou. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha dorsal... Não teve coragem de acordá-la. Qual seria a sua reação quando despertasse? Qual será a reação de todas as mulheres, quando despertarem?... Este pensamento fez João estremecer, numa sucessão de sensações, características do surgimento de um novo estado de consciência...  Foi para o trabalho, mas, a princípio, não comentou nada com seus amigos. Por enquanto, era um segredo bem guardado no seu coração. Iria começar a falar com eles, aos poucos. Seria um pioneiro, pois percebera que os privilégios masculinos estavam chegando ao fim. Passou a prestar mais atenção ao modo como Maria fazia as coisas. Começou a aprender com ela e a chamar seu filho mais velho para colaborar. Começou a perceber que também no escritório, o cuidar ia-se infiltrando.[5] Gradativamente compreendeu que não era exatamente um pesadelo, mas um processo de transformação social justo e evolutivo. João sentiu-se emocionado e constatou que havia despertado dentro de si mesmo a capacidade de cuidar... Agora, era um Ser Humano Inteiro! Assim como Maria também aprendera a prover. Percebeu que agora estavam mais unidos do que antes e que, cada um por seu lado, havia desenvolvido mais entendimento sobre as necessidades do outro. Isto os aproximava e permitia que compartilhassem interesses em comum. João e Maria criaram um Círculo de Casais, com o objetivo de por fim à Guerra entre os Sexos, com reuniões mensais, cada vez mais concorridas e bem humoradas, onde muitos outros casais descobriam novas facetas de si mesmos. Como medida de segurança para o projeto, a cada novo grupo, este conto era distribuído para despertar a consciência evolutiva e não mais haver necessidade de “Greve de Mulheres”...

                                    Sueli Meirelles, em Nova Friburgo, 15 de Junho de 2018.

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                                       Professora, Pesquisadora e Especialista em Psicologia Clínica (UGF_1986) MBA em Gestão de Projetos. Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral, Ecologia Integral e Educação para a Paz. Escritora e Palestrante. 
Wahtsapp: 55 22 999.557.166


quinta-feira, 7 de junho de 2018

FAMÍLIAS VIRTUAIS - Comportamento


                Em constante processo de mutação, nossa sociedade literalmente entrou no mundo virtual, trazendo-nos novos e mais complexos problemas de comportamento. Sem que nos déssemos conta das conseqüências imediatas, mergulhamos nas Redes Sociais, mantendo contatos em tempo real, mesmo estando em diferentes pontos do planeta. Fenômeno de globalização!... Maravilhados com as novas tecnologias ao nosso dispor, não paramos para avaliar os prós e contras dessas novas ferramentas de comunicação.
                Quando nos tornamos conscientes dos processos decorrentes da Transição Planetária em tempos de desconstrução civilizatória, percebemos a dissolução da maioria das famílias nucleares, o encarecimento do custo de vida, a ampliação induzida da necessidade de consumo, o surgimento de novas configurações familiares e a aceleração do tempo, criando um novo sistema de Redes Familiares, constituída por padrastos, madrastas, enteados, enteadas, ex-maridos, ex-esposas, avós afetivos, sem vínculo consangüíneo, avós, pais e mães consangüíneos, fisicamente distantes, agora conectados, em tempo real, que tentam gerenciar a vida de seus entes queridos e inacessíveis ao toque físico, como Drones monitorados à distância. Como toda situação tem dois lados, país e mães provedores, que criam seus filhos sem a presença do cônjuge, também monitoram seus filhos em casa ou na creche, a partir de seus ambientes de trabalho, o que os deixa mais despreocupados, em relação ao que possa estar ocorrendo com os pequenos. Em muitos casos, as ligações poderão ocorrer em momentos inoportunos, que irão interferir na logística do contexto real,  tais como horários de refeições, banho, sono... Interferindo em especial, na função de autoridade de possíveis cuidadores presenciais.
                 Tal configuração provoca a emergência de questões objetivas e legais, em termos de cuidados com os idosos e crianças. Neste novo contexto, emergem os conflitos parentais, os sentimentos de culpa gerados pela ausência real, muitas vezes compensado pelo acúmulo de presentes que passam a ocupar o espaço do melhor presente: A presença física e o convívio diário; emergem, também,  os sentimentos de insegurança, baixa-estima e inferioridade, que motivaram as situações de negligência parental, no passado e deixaram sequelas nas relações familiares; emergem as mágoas e ressentimentos decorrentes desses históricos de vida, conflitos que somente podem ser perdoados e dissolvidos, através das técnicas terapêuticas de autoconhecimento, para que o passado não interfira no presente e possa realmente ser deixado para trás.
                 Os aspectos legais decorrentes dessa nova configuração exigem atenção e discernimento em relação aos papéis sociais da paternidade e paternagem, bem como da maternidade e maternagem: Enquanto paternidade e maternidade são relações consangüíneas, a paternagem (figura parental de apoio, lei e limite, no mundo externo) e a maternagem (figura parental de cuidado e acolhimento) somente poderão ser exercidas por aqueles que estejam fisicamente presentes e próximos, em termos de tempo-espaço. Como socorrer a criança ou o idoso que se machucou num tombo, estando a quilômetros de distância? Como preencher o sentimento de solidão e abandono do idoso? Como acolher e acalmar a criança que acorda durante a noite, por conta de um pesadelo, muitas vezes também ocasionado pelos muitos jogos virtuais aterrorizantes? Como tirar fotos juntinhos, no dia do aniversário? Como abraças e beijar? Como construir as memórias dos bons momentos compartilhados? Para tornar a questão ainda mais complexa, legalmente, é responsável pela criança ou pelo idoso, o adulto que esteja cuidando deles, física e presencialmente. Em muitas situações, isto coloca as crianças e os idosos sob o comando de diferentes adultos, com diferentes visões de mundo, cada um querendo gerenciar a situação do seu modo, tornando as relações familiares confusas. Em especial para as crianças, significa receberem diferentes mapas, com diferentes informações oririentacoes  sobre a mesma realidade. Qual seguir!?...
                Mais uma vez, em tempos de Transformações, esses são temas sobre os quais precisaremos refletir e construir, com muito diálogo, novas regras de comportamento, que irão fundamentar a nova sociedade que está nascendo!... Vamos tecendo o Novo Tempo!

                                            Sueli Meirelles, em Nova Friburgo, 07 de Junho de 2018.

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domingo, 27 de maio de 2018

O DIA EM QUE O BRASIL PAROU - A Greve dos Caminhoneiros e as Preciosas Lições Decorrentes

 Sob olhar atento e habituado a ver a dimensão humana dos comportamentos e considerando ainda os cenários evolutivos, os movimentos de protesto assumem conotações mais profundas. O conceito de Resiliência[1] evidencia que uma corrente é um sistema tão forte quanto o seu elo mais fraco. A primeira lição que podemos extrair do presente momento, é que o Brasil, um país de dimensões continentais, tornou-se totalmente dependente do transporte rodoviário (mais caro e poluente), em detrimento das ferrovias (mais baratas e ecológicas). Quando iremos iniciar a construção da malha ferroviária brasileira, capaz de promover o turismo e transportar as riquezas nacionais?             
                Sob o olhar também atento de Agente de Transformações Sociais, percebemos que a história é construída pelo que muitos permitem que alguns poucos façam. Esta é a segunda lição: Se a maioria deseja o crescimento do nosso país, até quando iremos permitir que políticos partidários, gananciosos, corruptos e desacreditados estejam em postos de governança? Ainda sob este mesmo olhar, percebemos que os protestos dessa classe  trabalhadora, que percorre o Brasil de norte a sul e de leste à oeste, foram ordeiros e solidários, sem as badernas e agressões vistas frequentemente nos noticiários de reinvindicacoes politicas. Quem realmente trabalha mostra a face e expõe seus motivos!
                Sob o enfoque dos avanços tecnológicos, percebemos que as mídias sociais deixaram para trás as lideranças verticais dos palanques políticos, para abrir espaço ao movimento solidário e horizontal das redes que agrupam pessoas irmanadas pelos  mesmos valores, idéias e ideais, em torno de objetivos e ações em comum . Esta, certamente, é a lição mais preciosa! Libertando-nos das mídias oficiais, subordinadas a concessões de governos (seus maiores patrocinadores) temos informações compartilhadas em tempo real, ao vivo e a cores, dando vez e voz às diferentes opiniões populares. Embora tenha sido noticiada a obstrução das rodovias, percebemos, pelas centenas de fotos compartilhadas, que um corredor foi mantido aberto para ao fluxo de veículos, pois a maioria dos caminhões está situada em acostamentos e espaços ao lado das rodovias. 
                Do ponto de vista da análise econômica, indagamos por que o combustível produzido no Brasil e vendido internamente é tão mais caro do que o combustível consumido por outros países desta mesma América do Sul? Quando iremos investir em fontes de energia eólica e solar, tão fartas em países de clima tropical?...
                Vivemos um importante momento de reflexão sobre este jovem Brasil, que vem ensaiando seus primeiros passos para o desenvolvimento de consciência e maturidade política. Somos milhares de brasileiros e brasileiras produtivos, que sustentam este país e ansiosamente desejam expressar a alegria por tudo que somos capazes de realizar, em favor do bem comum.  Somos a Nação Brasileira, formada pelas três células essenciais da sociedade: A família, a escola e igreja, que incluem todos os segmentos produtivos da sociedade e podem trabalhar em conjunto, no projeto de reconstrução nacional.
                Neste contexto, não existem receitas prontas. Na travessia do processo de Transição Civilizatória já há muito profetizado, precisamos unir Razão e Emoção, no ponto de equilíbrio da Sabedoria, criando estratégias construtivas, para solucionar as crises urgentes e emergentes. Desse modo, somos convidados a fazermos a nossa parte, cumprindo nosso dever cidadão, para o restabelecimento da ordem social e do retorno ao crescimento do nosso país. Somos muitos e descobrimos a nossa força, fazendo história e tendo o destino sagrado, do Brasil, como meta de realização: BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO E PÁTRIA DO EVANGELHO!

                  Sueli Meirelles, Mãe, Avó e Cidadã Brasileira, em Nova Friburgo, 27 de Maio de 2018. Site: www.suelimeirelles.com

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[1] A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

Manter a imunidade mental é a base para criar resiliência emocional. O individuo condiciona a mente a tolerar os pensamentos assustadores e consegue esquivar-se do sofrimento ao entender que a dor fará, inevitavelmente, parte da trajetória de vida.[1] Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_(psicologia)






        

sexta-feira, 25 de maio de 2018

MENTALIZAÇÃO POSITIVA PELO BRASIL - 26/05/18 - 9:00


No dia 26/05/18, ÀS 9:00, na página do CARROSSEL DE LUZ - Grupo de Pesquisas Noéticas, estaremos realizando uma transmissão ao vivo para o nosso país. Se você deseja participar, prepare-se. Uso calca ou saia branca e camisa ou blusa, nas seguintes cores:
Azul (Vontade)
Amarelo (autoconfiança)
Rosa (Amor)
Branco ( Paz)
Verde (Harmonia, Equilíbrio)
Vermelho (Fé)
Violeta (Compaixão)
Tenha um copo com água filtrada, para o momento de Benção das àguas, no final da transmissão.

Acesse o link da transmissão: https://www.facebook.com/sueli.meirelles/videos/10209235372559654/?multi_permalinks=1992166404159111&notif_id=1527336188531058&notif_t=feedback_reaction_generic

quinta-feira, 24 de maio de 2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018

NOVA FRIBURGO 200 ANOS - Análise de um Desfile.


Hino de Nova Friburgo: 
“Coroemos de versos e flores
A Princesa dos Órgãos, gentil,
Embalada em seus sonhos de amores
Das aragens ao canto sutil.
Em teu seio de paz e bonança,
Sono eterno queremos dormir,
Doce anelo de nossa esperança,
Esperança de nosso porvir!"



                Nova Friburgo é uma cidade com características muito próprias: Pólo de produção horti-fruti-granjeira, pólo metalúrgico e de produção de flores e langerie, com deliciosa e variada gastronomia. Cidade turística, com Mata Atlântica preservada, belas paisagens, água em abundância e espaço para a prática de montanhismo, ciclismo e esportes radicais. Caldeirão Cultural constituído por suas dez colônias de imigrantes. Também chamada de “Terra de Todos os Povos”.
Com meu olhar forasteiro de Carioca e, por opção, filha adotiva desta bela cidade serrana, ainda tomando por base meus conhecimentos como profissional de Psicologia[2] analiso este momento histórico da cidade. O Analista tem por função abrir espaço de acolhimento para tudo aquilo, que segundo a Física Quântica, representa o “terceiro incluso” que emerge em pessoas, grupos, cidades ou nações, para ser curado ou recuperado à luz da consciência...
                No final de Abril deste ano, faleceu, em distantes terras paranaenses, o ex-prefeito Heródoto Bento de Mello, que por quatro mandatos seguidos, esteve à frente do Governo Municipal de Nova Friburgo. Cheguei a conhecê-lo pessoalmente, assistindo as apresentações das bandas centenárias da cidade: (Banda Campesina Friburguense e Banda Euterpe Friburguense), pelo Projeto Banda na Praça ou nos muitos eventos gratuitos promovidos pela Secretaria de Cultura, no Teatro Municipal[3] e no Country Club de Nova Friburgo[4], por ocasião dos maravilhosos Festivais de Inverno, tendo à frente o trabalho laborioso de Roosevelt Concy. Ahh! Tão pouco tempo na cidade e já me reporto a saudosas memórias, de alguém que observa a desconstrução civilizatória, em tempos de Transição Planetária... Em seguida, apenas iniciado o mês de comemoração dos 200 anos de Nova Friburgo, um carro desgovernado destruiu o Relógio da Contagem Regressiva para a celebração. Dentro do princípio de sincronicidade (simultaneidade de eventos no tempo), indago: _ Qual o significado simbólico desses dois acontecimentos? O tempo dirá!...
                Na turbulência das informações globais, que nos inserem no campo das incertezas, acompanhamos no noticiário internacional da semana, as potências mundiais promovendo provocações de guerras, em terras alheias, ao mesmo tempo em que lideranças de mesma etnia, promovem alianças de paz... Breve momento histórico em que dois homens pisaram o mesmo solo e libertaram milhares de irmãos da invisível fronteira que os separava. Que neste frágil equilíbrio planetário, o bem prevaleça!... Sob as influências de tantas incertezas no cenário mundial, nesta manhã de 16/05/18, caminhei até o centro da cidade, para assistir o desfile comemorativo dos 200 anos de Nova Friburgo. No ar, pairava certa tristeza, por tudo o que precisa ser transformado na cidade, no País, no Planeta... No meio do povo, algumas senhoras comentaram a validade da comemoração do aniversário da cidade. Uma educadora consciente sinalizou que a festa é da cidade e que os governos passam; que a festa é do povo e para o povo! Parentes que assistem parentes desfilando, em diferentes segmentos representativos da sociedade: Forças Armadas, Instituições de Ensino, Agremiações, Associações... Forças vivas de Nova Friburgo, cidade com potencial pulsante, à espera da união de idéias e ideais para muitas outras concretizações. Como nos ensina Kaká Wera, com a sua Sabedoria Indígena (uma das colônias a serem resgatadas na cidade), todos nós somos parentes (pessoas, animais, árvores...), habitantes, em diferentes estados de consciência, da única moradia: O Planeta Terra. Quando iremos aprender?...
                No desfile das Forças Armadas, olhei para as armas nas mãos dos soldados e pensei neste significado: As armas de todos os lados servem para matar seres humanos, que perdem o senso de ordem e respeito mútuos e se desentendem por ideologias geradas na Fantasia da Separatividade[6]. Diferentes visões que se expressam em palavras de oposição, também representadas pelos grupos que circulavam paralelamente ao desfile ou dentro dele, aproveitando a oportunidade para protestarem por melhores condições nas áreas de Saúde, Educação, Mobilidade Urbana...: “Educar para não prender”[7], pode ser o lema para a recuperação da saúde integral[8] da sociedade. Muitas das Instituições que desfilaram, apresentaram suas bandas e bandeiras. Felizes os soldados-músicos, que seguram seus instrumentos e não são tombados pelas balas anônimas da violência urbana... Em que momento futuro as armas serão substituídas por instrumentos musicais? Em que momento futuro a música, essa linguagem universal, traduzida em símbolos que podem ser compreendidos em todos os idiomas, será utilizada como recurso transformador e curativo dos corações sofridos de todos os povos?... De todas as mães, de todos os lados[9], cujos filhos não foram gerados, paridos, embalados e cuidados para perecerem em guerras fratricidas. Quando chegará o momento em que, no aniversário de todas as cidades deste nosso lindo país, brasileiros e brasileiras desfilarão cantando as alegrias de suas realizações para bem comum?
                Enfim, a comemoração aconteceu e ficará registrada na história da cidade. O desfile foi singelo e bonito! O povo friburguense saiu às ruas para expressar o seu imenso amor por esta cidade. Que este Amor possa gerar forças para a travessia de 2018, ano de muitas e profundas transformações e que 2019 seja o recomeço de um novo ciclo de nossa história: Um Novo Ciclo de concretização dos melhores sonhos de nossos corações. PARABÉNS NOVA FRIBURGO! NÓS AMAMOS VOCÊ!

                                                             Sueli Meirelles, em Nova Friburgo 16/05/18.
Email: suelimeirelles@gmail.com

Vale a pena ouvir e compartilhar esta homenagem: https://www.facebook.com/sheila.rochamagliano/videos/1605800619540854/




[2] Sueli Meirelles – Especialista em Psicologia Clínica (Hipnose Ericksoniana, Regressão de Memória e Reprogramação Mental). Escritora e Palestrante. Membro do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas e da ALUBRAT – Associação Luso Brasileira de Psicologia Transpessoa.
Whtasapp: 55 22 99955-7166
Email: suelimeirelles@gmail.com


[6] FANTASIA DA SEPARATIVIDADE I – Pierre Weil: (...) é a fantasia da separatividade responsável pelo que chamamos no nosso livro sobre a “neurose do paraíso perdido”, que começa pela percepção de dualidade sujeito-objeto e que leva ao apego, raiva, orgulho e ciúme. “Esta fantasia como o mostramos em várias publicações é, em última instância, responsável pela destruição eventual da vida no planeta.” (WEIL, Pierre. A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança. Rio de Janeiro: Record; Rosa dos Tempos, 2000. Pág.66)
[8] SAÚDE INTEGRAL – De acordo com a Visão Holística refere-se à “Condição de bem-estar físico, emocional, mental e espiritual do indivíduo.” A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. (Revista Saúde Pública. Vol.31, nº5. São Paulo, Out. 1997).

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