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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

LIVE REGRESSÃO DE MEMÓRIA - 30/08/18



            Dentre os modernos recursos da Psicoterapia, um dos mais importantes é o da Técnica de Regressão de Memória.
            O ser humano possui dois tipos de memória: A memória consciente que se inicia em torno do terceiro ano de vida e permanece ao longo da existência, e a memória inconsciente e atemporal, onde se encontram os registros de vida intra-uterina, nascimento, o período da infância até o terceiro ano, e a própria história da humanidade. Estas memórias geralmente contêm altas cargas de conteúdos emocionais de medo, raiva, tristeza e dor emocional, que interferem no presente, através de sintomas que, na maioria das vezes, não podem ser compreendidos pela lógica do consciente.
            No trabalho terapêutico, um dos primeiros procedimentos é a utilização da técnica de regressão de memória à primeira infância, onde estão os arquivos e programas de estruturação da personalidade. Muitas vezes, as crianças vivenciam situações traumáticas, que não são percebidas pelos adultos, ou não são por eles consideradas importantes, permanecendo como fatores impeditivos da auto-realização da pessoa, depois de adulta. Utilizando-se recursos de Neurolingüística, é possível dissociar-se o adulto de hoje da criança que ele mesmo foi, reprogramando-se a infância, através do atendimento virtual das necessidades infantis. Este procedimento promove a substituição das memórias antigas, por novas memórias, construídas com novos símbolos positivos e mais adequados, que possam servir de base para a autoconfiança. O mesmo ocorre em relação às memórias de nascimento, a qual serve de base como modelo para a maneira como cada um é recebido em novas situações. Uma pessoa que tenha nascido em uma situação de dificuldades, terá muito mais medo de enfrentar os obstáculos da vida, do que outra que tenha nascido em condições ideais. Nestes casos, torna-se necessário fazer um Renascimento, como recurso de reprogramação.
            As memórias de vida intra-uterina, também são fundamentais para a estruturação da personalidade humana. Um bebê que tenha vivenciado brigas e agressões físicas entre os pais, terá esses registros em sua memória inconsciente, alguns deles tornando-se a causa de episódios de convulsão na infância, ou sintomas de epilepsia, na adolescência e vida adulta.
            Estes são procedimentos comuns dentro da ATH -  Abordagem Transdisciplinar Holística em Psicoterapia, e que tem mostrado excelentes resultados ao longo do tempo.
            Quando a regressão atinge níveis mais profundos de inconsciente, entrando nos chamados Registros Transpessoais, torna-se um assunto polêmico, por tocar na questão da pré-existência do Ser.
            Desenvolvida pelo Psicólogo americano Morris Netherton, a chamada ”Terapia de Vida Passada”, chegou ao Brasil, na década de setenta, sendo então ensinada a todos aqueles que se interessassem pelo assunto. Tal procedimento teve sérias conseqüências para os desavisados, pois, se é fácil aplicar a técnica, não é nada fácil, para uma pessoa leiga em Psicologia, lidar com os conteúdos emocionais e mentais que podem emergir, a partir da abertura de um desses arquivos de memória. Estas ocorrências deixaram um rastro de mitos e desconfianças em relação à técnica, fazendo com que as instituições sérias, que pesquisam e aplicam este recurso terapêutico, restringissem o seu uso, apenas aos profissionais de saúde mental (Médicos ou Psicólogos), os únicos tecnicamente habilitados para a utilização de um recurso de alcance tão profundo.
            Depois de mais de trinta anos de utilização, e vencidos os primeiros obstáculos da curiosidade e do uso indevido da técnica por parte de leigos, foram desenvolvidos estudos sérios, por pesquisadores conceituados, entre eles, o Neurocientista Júlio Peres, que comprovou, que a área cerebral ativada durante a regressão é o velho córtex de memória e não, o neo-córtex responsável  pela imaginação. Na continuidade desta pesquisas de ponta, objetiva-se constatar que a pessoa que vive hoje, e relata uma existência em outra localidade, e em outro momento do tempo, são a mesma Individualidade, ou parte imperecível do Ser. Nos estudos realizados com crianças que ainda trazem estas memórias vivas em suas mentes, os pesquisadores encontraram documentos comprovando a existência da pessoa mencionada na regressão, como foi o caso do próprio Netherton, ao descobrir o dado histórico de seu afogamento, em outra existência, como tripulante de um navio que naufragou.
            Para fins terapêuticos, no entanto, a importância da comprovação histórica cede lugar aos benefícios alcançados por todos aqueles que não encontravam motivos para seus medos e fobias, e conseguiram um alívio imediato para os inexplicáveis conflitos e sintomas que tanto os atormentavam.

Link para o vídeo da Live: https://www.facebook.com/sueli.meirelles/videos/10209771766689172/


Dra. SUELI MEIRELLES - Especialista em Terapias Regressivas e Pesquisadora de Fenômenos Psicossomáticos e Psicoespirituais. 
E-mail: suelimeirelles@gmail.com
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domingo, 12 de agosto de 2018

PAI HERÓI


Agosto, o mês augusto, sagrado. Não por acaso, ele contém o Dia dos Pais! Como é importante a presença da figura paterna, para a formação da personalidade dos filhos. Temos o hábito de louvar e festejar as mães, talvez porque elas carregam os filhos em seu ventre, durante nove meses, tempo suficiente para que os pequenos sejam mais associados ás  mães do que aos pais.
Nas sociedades primitivas, durante muito tempo não se associou o nascimento dos filhos à relação sexual. Pelo fato de que a gravidez somente se tornasse perceptível após alguns meses, ela era considerada um fenômeno expontâneo que ocorria com as mulheres, quando elas paravam de menstruar. Herdeiros destas memórias ancestrais, continuamos a estabelecer uma associação muito mais forte entre as mães e os filhos, do que entre estes e os pais. Neste contexto, ficou para o homem a imagem do macho reprodutor, cuja virilidade era medida pelo número de rebentos que conseguisse semear pelo mundo, em suas muitas andanças. A terra precisava ser povoada, o índice de mortalidade infantil era muito alto e, além disso, as guerras e as doenças ceifavam muitas vidas, ainda na juventude.
            Com a evolução, a humanidade tornou-se mais amadurecida. Surgiram os conhecimentos da medicina, preservando a vida e promovendo a longevidade; a puericultura e a psicologia desenvolveram estudos sobre a importância dos cuidados infantis e sobre as funções paterna e materna e as relações familiares surgiram em toda a sua complexidade.
Numa sociedade como a de nossos dias, cabe à mãe, mesmo que ela seja uma profissional, a tarefa básica de cuidar e atender às necessidades dos filhos, pelo menos nos meses de idade mais tenra. A função materna desenvolve a sensibilidade dos filhos e gera segurança emocional, contribuindo para o bom desenvolvimento da personalidade. Ao pai, cabe a função de transmitir apoio e segurança em relação aos perigos do mundo externo e também, representar a lei e o limite. Não é por acaso que hoje, dada a ausência da figura paterna na maioria dos lares sem estrutura, imperam a violência e a falta de valores morais. Temos hoje, uma carência imensa da figura do pai. Precisamos de um pai herói, sim! Precisamos de pais que passem aos seus filhos as noções de limite tão necessárias ao bom convívio social. O pai representa a lei. Um bom pai, um pai que seja um modelo forte e seguro para os seus filhos, é o símbolo de uma boa lei, que vale a pena ser admirada e respeitada. A partir dos bons exemplos paternos, esta admiração e respeito deixarão de vir do modelo patriarcal de repressão, para representar a ordem necessária ao convívio familiar e social.
Precisamos educar os nossos meninos para o exercício da paternidade consciente, segundo a qual, a família, enquanto uma das células básicas da sociedade, tem a função de promover os valores essenciais do ser humano, desse modo contribuindo para o aprimoramento das relações e do convívio harmonioso entre todos.
Que possamos sair da severa crise de paternidade em que nos encontramos. Na data de hoje, um pedido de profunda reflexão a todos os pais que ainda não sabem ser pais; um voto de incentivo a todos aqueles que, com extrema boa vontade, estão aprendendo a serem pais; um grande abraço e muitas bençãos para todos os pais, que são realmente pais! Que tenhamos pais amigos, responsáveis, cidadãos dignos e conscientes de suas funções na família e na sociedade.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ABORTO: Uma Nova Questão Jurídica



            Escrito já há alguns anos, reedito este artigo, por sua pertinência e atualidade com o momento que atravessamos.
            Permanece em tramitação na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em Brasília, o “Projeto Matar” substitutivo ao projeto de lei nº 1135/91, de autoria da deputada federal pelo RJ, Jandira Feghali (médica), que pretende descriminalizar o aborto no Brasil. Dividindo a opinião pública brasileira, o projeto gera acirrados debates entre os defensores e opositores da proposta, sem que se analise, a fundo, este tema tão complexo do direito à vida, e de todas as implicações dele decorrentes.
            Procurando nos situar em relação a tão relevante tema, como de hábito, recorremos ao dicionário, para algumas definições preliminares. Pesquisando em www.priberam.pt (dicionário online), encontramos, entre muitas outras, as seguintes definições para o termo “Lei”: “Norma de caráter imperativo, imposta ao homem, que governa a sua ação e que implica obrigação de obediência e sanção da transgressão; preceito ou conjunto de preceitos obrigatórios que emanam da autoridade soberana de uma sociedade, do poder legislativo; preceito ou norma de direito moral; normal social; preceito que exprime a vontade de Deus, da divindade; princípio essencial e constante, decorrente da natureza das coisas, que se impõe aos homens pelo seu caráter de necessidade (lei natural).” Em relação ao termo mãe, encontramos: “mulher que dispensa cuidados maternais; mulher caridosa e desvelada; origem. Fonte, causa”, situando a função materna como função de doação de amor e cuidados com a vida. Para o termo “aborto”, encontramos: “ato ou efeito de abortar; expulsão do feto antes do fim da gestação”. No sentido figurado o termo é sinônimo de “monstruosidade”. Aprofundando um pouco mais estes significados, buscamos o significado de expulsão. Considerando seu sentido de ato de rejeição, ele está assim definido: “ação de expulsar; evacuação” dessa forma atribuindo ao feto o caráter de simples dejeto, passível de ser eliminado.
            Em meio aos debates, enquanto os defensores da vida alegam motivos éticos, morais e religiosos, os defensores do “Projeto Matar” argumentam a favor do direito da mulher em relação ao seu próprio corpo, o que é um aspecto legal quando se refere a qualquer parte que integre o seu ser, mas que perde sentido quando aplicado a outro ser, mesmo que ainda se encontre dentro do seu próprio ventre.
            Outro aspecto importante a ser considerado é o desconhecimento da ciência quanto ao momento em que a vida se inicia. Desde 1827 Karl Ernest von Baer, pai da embriologia moderna, conceituou que “a vida tem início com a concepção”. Modernamente, as pesquisas pioneiras da Física Quântica sobre a consciência humana, apontam para a possibilidade de uma Consciência pré-existente à concepção, também encontrada em milhares de pacientes submetidos à hipnose regressiva, por profissionais legalmente habilitados em saúde mental.
            Tão delicado tema nos exige, ainda, uma reflexão sobre os aspectos políticos e econômicos decorrentes da descriminalização do aborto: Será ele um primeiro passo para a eliminação das minorias desprivilegiadas (que na verdade constituem a maior parte da população mundial), para a proteção dos privilégios dos detentores do poder? Quais os interesses econômicos mundiais, que dão sustentação á essa proposta? Estaremos a caminho de um novo “Holocausto”? Não estará todo esse lobby a serviço de interesses escusos, que se aproveitam da desinformação e da baixa escolaridade de uma população com um alto percentual de analfabetismo funcional, e que desconhece seus direitos e deveres de cidadania?
            Um aspecto ainda mais polêmico decorre da eleição daquele que irá praticar tal ato. Neste caso específico, o Médico. Em pesquisa realizada no site www.gineco.com.br encontramos, no Juramento de Hipócrates, a que os médicos são subordinados, os seguintes termos: “Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. (nosso grifo). A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda (nosso grifo). Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. (nosso grifo).
            Pelos aspectos aqui sinalizados e, considerando tudo aquilo que ainda não sabemos sobre a origem da vida, indagamos: Estamos diante de uma nova questão jurídica? A quem o médico irá obedecer: À nova lei ou ao seu juramento ético? Poderá ele ser denunciado ao seu Conselho por infringi-lo? Poderá ele recusar-se a fazer o aborto, por contrariar suas convicções morais, ou será preso por infringir a nova lei? Diante de tudo isto, deverá ele manter-se fiel ao Juramento de Hipócrates ou adotará o “Juramento dos Hipócritas”, cujas belas palavras tornar-se-ão vãs, transformadas em mero discurso, para conferir imponência ao solene momento da formatura?...


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quarta-feira, 11 de julho de 2018

PROJETO EDUCAÇÃO PARA A PAZ A GENTE E QUEM FAZ



Este Projeto de Consultoria está disponível para todos aqueles (Peacemakers de Coração) que desejem implementá-lo em sua cidade, como pólo promotor de transformação do seu entorno social.
Ele está fundamentado em bases simples de apadrinhamento de Empresas, para a construção de um refeitório e um auditório, em instituições filantrópicas, para funcionamento como Espaços de  Eventos Empresariais e geração de recursos financeiros de auto-sustentabilidade de creches. O Plano Piloto está em funcionamento desde 2002. Para conhecer, acesse: http://www.patronato.org.br/

Quem tiver interesse, entre em contato através do Whatsapp 55 22 999.557.166, que lhe enviarei os slides, com histórico e orientações. Fraterno Abraço!

Compartilhe esta ideia e promova a mudança de Mentalidade!.

                             Sueli Meirelles, em Nova Friburgo,  10/07/18

Site: www.suelimeirelles.com







segunda-feira, 25 de junho de 2018

MEMÓRIAS DA CONCEPÇÃO - Capítulo VI do Livro Do Divã à Espiritualidade: ATH - Abordagem Transdisciplinar Holística em Psicoterapia


            _Dê-me sua mão! Deixe-se conduzir por essa espiral! Induzi, ao mesmo tempo em que estabelecia uma âncora com a realidade, tocando levemente sua mão, em sinal de acompanhamento.
_Estou suspensa no ar... Não, no éter... Estou sem peso, sem temperatura... Neste momento, sou pura e plena consciência... Olhando do alto, vejo uma forma arredondada, ovalada... Como uma espiral de energia... A mesma espiral que dá origem às estrelas e ao cosmos... É o princípio da vida... O que eu vejo é um útero, ele está dentro da barriga de uma mulher... Ela vai ser minha mãe... Ela está deitada em uma cama, à noite, ao lado de um homem... Ele vai ser meu pai... Eles estão no quarto... A cama onde estão deitados é de madeira escura, reta... É um móvel simples. O quarto é simples, tem cortinas nas janelas, de um tecido pesado,parece aveludado... A cortina não combina com a simplicidade do quarto... A janela fica à esquerda... As paredes são claras... A porta fica à direita e está fechada... O chão é de tacos encerados... Lençóis brancos, bordados em ponto cheio, com linha azul... Tem um monograma bordado... São dois “as” entrelaçados... São as iniciais dos nomes deles: Alcides e Amélia. Enquanto eu percebo essas coisas, o meu corpo vibra... Ele é d épura energia...
Lá embaixo, na cama, o homem está deitado de costas para a mulher... Ela está com a perna direita apoiada sobre a perna direita dele... O braço direito dela passa por baixo do braço direito dele, rodeando-lhe a cintura...
A mão direita dela, agora, toca o genital dele... Ele fica excitado... Ele se vira para ela... e a olha nos olhos... Eles sentem amor um pelo outro... Eles se amam intensamente, e começam a ter relações sexuais...
O meu corpo vibra muito. É como se eu estivesse sendo puxada para baixo... Lá embaixo há uma bolinha... É uma velocidade fantástica!... É como se eu estivesse descendo, na espiral, em direção à bolinha... Descendo, descendo, descendo... É uma bolinha tão pequenininha!... Eu agora estou na bolinha... Vibrando... Vibrando... Na bolinha... É um óvulo...
Agora estou dentro de um túnel, redondo, quentinho, meio rosado... Em sentido contrário, vem uma bolinha diferente, de forma ovalada, com uma cauda ondulada... Tem outros, muitos outros... Mas esses outros não são importantes... Só aquele... Tenho na minha energia uma chave, uma informação, um código... Metade de um código... A outra metade está nesse outra bolinha... Aí, então, descubro que a outra parte da minha energia... A minha outra metade... Está nessa bolinha... Eu serei uma pessoa inteira quando as duas metades se unirem...
Estou no meio da bolinha... Tem muitas outras bolinhas querendo entrar, mas a única que tem a chave da porta é aquela que despertou a minha atenção... Ela entra com tanta facilidade!... A porta está se fechando... E nenhuma outra bolinha poderá entrar... Somente esta... As outras bolinhas que ficaram lá fora vão morrer... Vão se desmanchar...
Agora eu mesma estou me multiplicando em muitas bolinhas, muitas... 2...4...8...16...32...64... Mais... Mais e mais, milhares de células... Eu estou deslizando por um túnel, que desce por uma parte mais larga, mais aberta... Agora vejo uma caverna. Ela é de cor rosa avermelhada, forrada por um tecido esponjoso... Fofo, macio... Eu caio nesse tecido, e fico agarrada nessa parede... Enquanto isso a multiplicação continua... Ela tem a mesma velocidade incrível, espantosa!... Não tenho mais noção de tempo... É como se ele não existisse...
Eu sou uma semente de vida crescendo, crescendo... Aquela energia do Princípio da Vida está agora multiplicada ou dividida, não se direito, em milhares e milhares de pontinhos de vida... As minhas células... É fantástico!... Obedecendo àquele código, elas vão se organizando... É como se soubessem o que devem fazer... É perfeito, tão perfeito!... (Luíza chora, emocionada)... Elas estão formando um fio longo... Na ponta desse fio longo tem células cinzentas... é o meu cérebro...
Tem um outro grupo de células, bem vermelhinho, que começa a fazer um barulho: tum... tum... tum...É o meu coração... Outros órgãos estão se formando, parece tudo tão rápido! É o sangue fluindo...
            Também existe trabalho lá fora... Tem um outro tubo fino, que vai da minha barriga para fora... O sangue passa rápido dentro dele. Leva detritos lá para fora... Também me ajuda a respirar... Lá fora, aquele tecido que parece esponja está crescendo... Em volta, agora, tem água, uma água azulada, não muito transparente...
Lá fora existem ruídos, barulho de barriga, de alimentos sendo digeridos... É o estômago de minha mãe funcionando... E tem aquele tum... É o coração dela batendo... Ela está tranqüila, eu também... Ela conversa muito com meu pai... Eles têm dificuldades financeiras.... Mas estão juntos... E... Eu estou crescendo tranqüilamente.
_Existe mais alguma coisa que você queira perceber?
_Indaguei, retomando a indução, após sua regressão espontânea à vida intra-uterina. Há algo em relação ao nascimento que precise ser trabalhado?
_Se eu olhar adiante, o nascimento também parece tranqüilo... A sensação que eu tenho agora é de que não há mais nada a ser percebido. Estou me sentindo bem... Acho que já posso voltar.
_Então, gradativamente, perceba-se sendo a Luíza, uma só pessoa, adulta, com sua energia totalmente reintegrada e bem distribuída pelo corpo, até abrir os olhos novamente, como se estivesse acordando! Induzi, aguardando o seu movimento de retorno ao estado de vigília... Como foi para voe viver essa experiência?
_Eu fui à vida intra-uterina: É possível isso? Será que não imaginei toda essa história?... Mas, tudo parecia tão real!... Tão verdadeiro!... Exclamou Luíza, ainda aturdida com a experiência por que passara.
Em visão holística, costumamos dizer que o dentro e o fora são a mesma coisa. Tudo se interliga! Mas ao mesmo tempo, a consciência, que funciona no plano da dualidade, necessita compreender e integrar as experiências vividas. Sua experiência foi real para você. Ela é a sua representação interna da sua concepção, e esta é uma representação bonita. Exprime as sensações e os sentimentos que foram registrados por você, em relação a esse momento da sua evolução. É também o seu simbolismo em relação à sua vinda a este mundo. No sentido emocional, o que ela significou para você?
_Foi lindo! Creio que jamais esquecerei essa história. A sensação de ser pura energia; a sensação de vida fluindo; o amor de meus pais. Eu senti a segurança de nascer num lar estável, fruto de um relacionamento afetivo bem sólido! Creio que isto é o mais importante para os filhos. Pelo menos, é importante para mim. Foi incrível! Será que realmente o espermatozóide que fecunda o óvulo é aquele que tem um código semelhante? Que tem afinidade energética com o óvulo? Achei isso tão bonito, também!...
Esta é a abertura conceitual, que estamos empenhados em promover. Diante do pré-suposto de um Módulo Organizador Bioplasmático, pré-existente ao corpo físico, faz sentido que a escolha do espermatozóide que fecunda o óvulo não seja uma escolha aleatória, mas o resultado seletivo das características mais adequadas às experiências evolutivas do ser que vem ao plano da matéria. Isso joga por terra o conceito de “acidente” genético. Segundo esta perspectiva, a má formação genética é a manifestação física da energia mal qualificada por um ser evolucionante. Este novo enfoque abre perspectivas para muitas pesquisas, mas é fundamental o alargamento do enquadre científico. Enquanto nossa ciência oficial estiver restrita pelo pensamento cartesiano, pouco ou nada, iremos avançar neste campo, onde muitos fenômenos ainda aguardam explicações.
Mudando de assunto, sinalizei para Luíza o término da sessão. A experiência fora extremamente mobilizadora e como não é adequado que se realize mais de uma técnica hipnótica por vez, havíamos usado o tempo restante com as necessárias elaborações, em relação ao ocorrido.
Tecnicamente, eu sabia que teríamos que retornar à infância para dar continuidade ao fechamento e ressignificação de possíveis experiências traumáticas, ainda mantidas sob o véu da inconsciência. Algumas sessões adiante, Luíza reviveu outra situação significativa:

                                                          SUELI MEIRELLES
Email: suelimeirelles@gmail.com


domingo, 17 de junho de 2018

RECEITA DE CAMPEÃO - Cidadania


            Historicamente, em tempos de Copa, preparativos concluídos, o Brasil inteiro se colocava a postos para torcer... E GANHAR! A cada gol, o país inteiro explodia de alegria. Ali, naquele instante, descobríamos o espírito do vencedor. Nada menos do que isso, pois não aceitávamos desculpas, por nenhum deslize, por menor que fosse... Mas os tempos mudaram e o brasileiro amadureceu. Hoje, não temos motivos para comemorar, mas a lição contida no esporte mais praticado no Brasil permanece.
Podemos perguntar: _ O que faz um campeão? Quais são os requisitos básicos para que sejamos vencedores, no futebol ou na vida? Qual é a receita do sucesso? Talvez, se descobrirmos como conseguimos ser campeões em Futebol, possamos dar um jeito neste país, em nosso estado, em nossa cidade, em nossa casa... Em nós mesmos, acabando com tantas insatisfações, que nos atormentam a vida diária. Então, vejamos os passos que transformam um cidadão comum num campeão:

1.    Um campeão conhece o seu talento; aquilo que ele é capaz de fazer com amor, com facilidade e prazer; a sua maior habilidade; ele tem auto-estima;

2.    Um campeão desenvolve esta habilidade, treinando-a, aprimorando-a com persistência e dedicação. Para isso, ele tem um técnico, um professor que o orienta, e dele extrai o melhor desempenho. Nesta primeira etapa, o campeão tem humildade para aceitar as críticas de forma construtiva, sabendo que elas contribuem para o seu desenvolvimento;

3.    Um campeão conhece a sua área de atuação, o seu campo, e a posição em que seu desempenho é melhor. Ele tem espírito de equipe, para se articular com outros jogadores do seu time (aqueles que buscam a mesma meta), dividindo tarefas; treinando estratégias em conjunto, para fortalecer a defesa e o ataque;

4.    Um campeão observa o adversário, compreendendo-o, sem subestimar a sua capacidade de reação; desenvolvendo estratégias para ultrapassá-lo. Um campeão não fica paralisado pela insatisfação, combatendo sempre o mesmo adversário; ele não tenta modificar a maneira do outro jogar; ele a aceita e a ultrapassa, sempre disposto a enfrentar o próximo desafio;

5.    Um campeão tem uma meta, um destino, o ponto a onde ele quer chegar, com vontade e determinação, sabendo que sua trajetória será concluída, se ele tiver flexibilidade para contornar os adversários, que surgem a cada momento. Ele sabe lidar com imprevistos e aproveitar as oportunidades que se apresentam, colhendo feedback, a cada momento, do que o aproxima ou afasta da própria meta.

6.    Um campeão tem uma alta tolerância à frustração, para aceitar as vaias da torcida, quando comete erros, as pressões da mídia que polemiza, a falta de reconhecimento e gratidão, por todas as vezes que acertou. Ele sabe que o sucesso é frágil e temporário;

7.    Um campeão, ao fazer um gol - minuto fugaz de glória - se realiza, certamente; porém sabendo que, alcançada a meta, tudo começa outra vez, para a conquista de mais um ponto, no placar;

8.    Um campeão sabe que o gol é apenas a culminância de um árduo trabalho de construção, que começou há muito tempo atrás, e que este é um momento solitário, em que ele precisa aceitar que nem todos compartilhem do seu sucesso;

9.    Um campeão é aquele que descobriu que o gosto da vitória é pré-anunciado em cada passo de toda a trajetória de conquista, e que para ser vitorioso não é preciso apenas saber a onde se quer chegar; ser vitorioso é saber caminhar...

Desejamos, que o nosso talento futebolístico, neste momento presente, possa ser transferido para nossas vidas. Que tenhamos essa consciência de unidade, como brasileiros, para que, plenos do espírito de vitória, com determinação, garra e alegria, possamos acordar para a vida, o campeão adormecido no berço esplêndido, que existe dentro de cada um de nós... Vai, Brasil!...Você pode!

Compartilhe e ajude a promover a mudança de mentalidade!

                        (*) Sueli Meirelles - Torcedora Brasileira, em Nova Friburgo, 17/06/18
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sexta-feira, 15 de junho de 2018

O DIA EM QUE AS MULHERES ENTRARAM EM GREVE - Conto


            João acordou no horário habitual, para trabalhar. Seria um dia como outro qualquer, não houvesse algo de estranho no ar, a começar pela expressão de Maria, já desperta, mas ainda recostada na cama. Seus olhos tinham um brilho intenso, acompanhado por um sorriso enigmático e ligeiramente divertido.
            Sem dar mais importância ao detalhe, João entrou no banheiro, para a sua higiene matinal. Ao sair, Maria continuava recostada sobre o travesseiro, absorta com as mensagens virtuais. Incomodado com a postura dela, João disparou o comando para que ela tomasse a iniciativa de sua rotina habitual, colocando tudo no seu devido lugar:  _ Vamos tomar café?
            Maria olhou para ele, com seu olhar brilhante e sorriso enigmático e respondeu: _ Querido, bom café para você! Hoje é meu primeiro dia de greve!
            _Greve de que, se você é Dona de Casa?
            _Por isso mesmo! Respondeu ela. E continuou: _Quando é que Dona de Casa se aposenta?
            Nunca!!! Respondeu João automaticamente. Desde que o mundo existe é assim!... É a ordem “natural” das coisas! As mulheres nasceram para cuidar da casa, do marido e dos filhos!
            _E você acha isso justo? Perguntou ela.
            Pensando que talvez Maria estivesse “naqueles dias” de mau humor, João decidiu sair de casa mais cedo e tomar café na lanchonete perto do escritório, onde uma simpática e atenciosa garçonete o servia com presteza... Seguindo de carro pela avenida principal, viu alguns grupos de homens em conversas agitadas pelas esquinas. Embora achasse estranho, não deu muita atenção ao fato. João se orgulhava de ter foco e objetividade. Ao chegar à lanchonete, estranhou que, diferente do habitual, só houvesse homens no recinto e a simpática garçonete não estivesse lá. Quando o garçom veio atendê-lo, perguntou pela moça.
            _Ela hoje está em greve! Respondeu o garçom, com um sorriso irônico.
            Tal resposta provocou certo desconforto no estômago de João, mas de imediato, avistou um amigo entrando na lanchonete e fez-lhe sinal para vir sentar-se à sua mesa.
_E aí! Tudo bem? Indagou.
_Tudo bem como, cara! Minha mulher parece que ficou maluca! Acordou hoje, pela manhã, dizendo que está entrando em greve!
            GREVE!!! Soou o alarme dentro do João, provocando-lhe taquicardia. Neste momento, um dos homens no grupo da mesa ao lado, levantou-se e falou para os demais presentes: _ Algo de muito errado está acontecendo, hoje! Descobrimos que nossas mulheres entraram em greve. Vejam que absurdo! Parece que combinaram pelo Whatsapp. A campanha está viralizando nas Redes Sociais!...
            _ Mas o que elas estão reivindicando? Perguntou João.
            _Amigo! A lista é enorme e ridícula! Estão exigindo salários por cada uma das tarefas desempenhadas em casa: Cozinheira, lavadeira, arrumadeira, enfermeira, babá, administradora, contadora, economista, mediadora de conflitos familiares... Algumas mulheres mais radicais estão reivindicando também pagamento pelas horas dedicadas ao sexo. Que coisa mais estapafúrdia!!!
            _Mas eu pago faxineira! Argumentou o homem sentado numa mesa mais distante. O orador continuou, mostrando-se bem informado sobre o movimento grevista feminino:
            _ Elas dizem que os serviços prestados por terceiras podem ser descontados da lista. As que trabalham fora, estão argumentando que este termo “trabalhar fora” é discriminatório e evidencia a sobrecarga do trabalho feminino. Dizem que trabalham fora, dentro, à direita, à esquerda, em cima, em baixo (rrss)!... As mulheres piraram de vez! As provedoras, argumentam, ainda, que nunca deram despesas para os seus maridos, inclusive em relação aos planos de saúde dos filhos, descontados em seus contra-cheques. Também sinalizam os excelentes presentes de Natal, aniversário, Dia dos Namorados, partilha de despesas de jantares e viagens. Muitas alegam que sustentam a casa e os maridos. Diante das novas informações, o alvoroço na lanchonete generalizou-se pelos presentes, evidenciando forte indignação.
            _Que coisa maluca! Só quero ver quanto tempo vai durar isso! Resmungou para si mesmo, um senhor sentado numa mesa isolada. Já havia algum tempo ficara viúvo e morava só, fazendo ele mesmo suas tarefas domésticas, por conta dos parcos recursos da aposentadoria. Sentia-se a salvo do problema...
            Enquanto a notícia ia-se espalhando pela cidade, os aturdidos cidadãos descobriram, através do noticiário (masculino) de plantão, que o movimento havia tomado proporções nacionais e começava a expandir-se para outros países, principalmente os países latinos e muçulmanos, onde a cultura machista predominava.
            Ainda confusos e sem terem organizado um consenso em termos de ações repressivas em relação à “Greve de Mulheres”, os homens decidiram seguir para seus locais de trabalho, com a expectativa de que, à noite, tudo houvesse voltado ao “normal”, com possibilidade de pazes entre os lençóis perfumados com alfazema... Mas não foi o que aconteceu. Parece que não havia ninguém para perfumar os lençóis com alfazema... Ao chegar à casa, João encontrou Maria servindo o último alimento no jantar das crianças, que animadas, esperavam Mamãe, alegremente, para novas brincadeiras. As grevistas haviam combinado entre si, que os serviços essenciais devidos às crianças, idosos e doentes seriam mantidos. Desconhecendo esse detalhe, João respirou fundo e ainda segurando a sua irritação, saiu do apartamento em busca de algo para comer na rua. Neste momento, temeu que o restaurante mais próximo não tivesse um cozinheiro homem. Era só o que faltava acontecer!...
            Em represália ao abuso, João resolveu dormir no sofá da sala e nele permaneceu durante a semana em que a greve continuou. Até o oitavo dia, quando percebeu que suas roupas de trabalho estavam amontoadas na área de serviço e que não havia mais cuecas para trocar... Neste momento sua boca explodiu em palavrões. Falou todos que conhecia e inventou mais alguns, tamanha era a sua raiva. Decidiu vestir a mesma roupa do dia anterior, juntando as demais num saco de lixo, para deixar na lavanderia. Quando lá chegou, o dono o informou que não poderia receber suas roupas porque a duas funcionárias também estavam em greve e ele não sabia como ligar as máquinas.  Retornando com sua trouxa de roupas sujas ao carro, João lembrou-se de que, em casa, nunca havia ligado a máquina de lavar, tarefas habituais de Maria e da faxineira. Como fazer? Ele não poderia ficar indefinidamente sem trocar de roupas. Será que o manual de instruções da máquina ainda estaria em alguma gaveta? Mas quem organizava todos os papéis e documento da casa era Maria... Será que Maria estaria disposta a ensiná-lo a usar a máquina de lavar? Sentiu-se humilhado com a situação e pensou em outra estratégia: _Quanto ela poderia cobrar se ele lhe propusesse pagar pelo serviço?... Mas não teve coragem de lhe propor, esperando que a situação ainda se resolvesse por si mesma.
            Chegando à casa, com as roupas sujas, João viu que Maria brincava com as crianças, enquanto a máquina lavava as roupas dela e dos menores. Pura discriminação! Pensou, ressentido. Para onde foram as juras de amor e os votos de fidelidade na riqueza e na pobreza? Para seu maior desconforto, a greve havia chegado, também, ao leito conjugal... Indignado e convicto de suas razões pessoais, João considerou que não havia mais clima para a manutenção de nenhum tipo de voto e decidiu ir dormir num Motel. Precisava espairecer e se divertir um pouco. Mas, para seu total desespero, as prostitutas também haviam aderido à greve. Alegavam que seus corpos mereciam respeito e não mais seriam usados como vasos de esperma. Protestavam contra os abusos sexuais na infância, alegando que esses traumas às conduziram às ruas. O dono do prostíbulo, já bastante calvo, arrancava seus últimos fios de cabelo, gritando, desesperado: _Estou completamente falido!!!!
            Passados quinze dias, João viu emergir, à sua volta, uma série de imprevistos que nunca havia imaginado: Maria decretara que o banheiro da suíte seria para o seu uso e o das crianças. No banheiro social, a toalha sempre úmida, contava os dias em que permanecera ali, sem sequer tomar sol ou ser trocada. As roupas de cama, jogadas no sofá da sala, onde agora dormia, não estavam em melhores condições, com a fronha do travesseiro amarelada pelo suor do seu rosto. Enquanto isso, a  ‘Greve de Mulheres” continuava firme e forte. A Primeira Dama, “Bela, Casta e do Lar”, também decidira aderir ao movimento, assim como as esposas e amantes de todo Congresso Nacional. Sentindo-se pressionado, o Presidente Temeroso, com olheiras profundas e um terno surrado, por conta da greve de suas assessoras femininas, fez um pronunciamento em cadeia nacional, propondo ceder às reivindicações. Afinal, segundo seus também temerosos assessores, a população feminina era maioria, com menor índice de analfabetismo do que o masculino e muitas delas, financeiramente independentes e provedoras de família[1]. Como haviam deixado isso acontecer?... A situação, agora, estava totalmente fora de controle!
            Vereadoras, Deputadas e Senadoras preparavam Projetos de Leis para a promoção do equilíbrio entre o masculino e o feminino; entre o prover e o cuidar dentro de cada ser humano, para por fim a Guerra dos Sexos, com base no livro do mesmo nome, de autoria do Psicólogo Frances Pierre Weil, felizmente disponível para todas, em PDF[2]. Para dar suporte ao movimento, as parlamentares decidiram também criar “Círculos de Mulheres” em cada cidade, como fóruns para a síntese das principais questões emergentes: A principal bandeira era a aposentadoria efetiva para todas as Donas de Casa, aos 70 anos, criando estruturas sociais que dessem suporte à proposta de acabar com o modelo social desumano, que forçava mulheres idosas a cuidarem de suas casas, enquanto se agüentassem de pé. Havia muitos conflitos a serem mediados[3]. Começaram a estudar e criaram uma Biblioteca, com livros pertinentes ao assunto. Realmente, a vida nunca mais seria como antes. As mulheres haviam aprendido a prover e os homens precisariam, urgentemente, aprenderem a cuidar... Inclusive de si mesmos!
            João acordou meio tonto, no meio da noite, sentindo a boca seca e o coração palpitante. Para seu espanto, percebeu que Maria dormia tranquilamente ao seu lado, na mesma cama. Não compreendeu. Quando chegou à cozinha, olhou para a área de serviços e viu suas roupas no secador, como de hábito. Percebeu que havia tido um pesadelo. Um terrível pesadelo, diga-se de passagem!... Passou o resto da noite insone, refletindo sobre o acontecido.
            Ao amanhecer, levantou-se devagarzinho, para não acordar Maria... Depois da higiene pessoal, preparou o café, colocou numa bandeja, não sem antes acrescentar uma pequena e singela flor, numa jarra-tulipa, deixando tudo na mesinha ao lado dela. Viu que ali havia também livros que nunca percebera. Entre eles, O Fim da Guerra dos Sexos, de Pierre Weil[4]... Teria tido um sonho premonitório? Pensou. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha dorsal... Não teve coragem de acordá-la. Qual seria a sua reação quando despertasse? Qual será a reação de todas as mulheres, quando despertarem?... Este pensamento fez João estremecer, numa sucessão de sensações, características do surgimento de um novo estado de consciência...  Foi para o trabalho, mas, a princípio, não comentou nada com seus amigos. Por enquanto, era um segredo bem guardado no seu coração. Iria começar a falar com eles, aos poucos. Seria um pioneiro, pois percebera que os privilégios masculinos estavam chegando ao fim. Passou a prestar mais atenção ao modo como Maria fazia as coisas. Começou a aprender com ela e a chamar seu filho mais velho para colaborar. Começou a perceber que também no escritório, o cuidar ia-se infiltrando.[5] Gradativamente compreendeu que não era exatamente um pesadelo, mas um processo de transformação social justo e evolutivo. João sentiu-se emocionado e constatou que havia despertado dentro de si mesmo a capacidade de cuidar... Agora, era um Ser Humano Inteiro! Assim como Maria também aprendera a prover. Percebeu que agora estavam mais unidos do que antes e que, cada um por seu lado, havia desenvolvido mais entendimento sobre as necessidades do outro. Isto os aproximava e permitia que compartilhassem interesses em comum. João e Maria criaram um Círculo de Casais, com o objetivo de por fim à Guerra entre os Sexos, com reuniões mensais, cada vez mais concorridas e bem humoradas, onde muitos outros casais descobriam novas facetas de si mesmos. Como medida de segurança para o projeto, a cada novo grupo, este conto era distribuído para despertar a consciência evolutiva e não mais haver necessidade de “Greve de Mulheres”...

                                    Sueli Meirelles, em Nova Friburgo, 15 de Junho de 2018.

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                                       Professora, Pesquisadora e Especialista em Psicologia Clínica (UGF_1986) MBA em Gestão de Projetos. Consultora em Desenvolvimento Humano, Saúde Integral, Ecologia Integral e Educação para a Paz. Escritora e Palestrante. 
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