Tradução

domingo, 22 de setembro de 2013

POEMA NÃO DITO


Não dito,
Mal dito,
Bem dito.
     Três estados do dizer.

Não dito das emoções,
Bem guardadas nos corações,
Por medo da censura;
Do não acolhimento,
E do arrependimento.

Mal dito que,
Quando falado,
Emerge para ser curado.

Bem dito de bem dizer,
Bem dito de acolher,
A si mesmo e ao outro,
Revelando-se no encontro,
E também na manifestação,
Da consciência da Unidade,
Que conduz á Liberdade.

Liberdade de ser e estar no mundo,
No Ponto de Mutação,
E também de União,
Entre Mente e Coração,
A serviço da Evolução.

Bem Dito Sejas,
Tu Também.
AMEM!

Sueli Meirelles Aeroporto de Brasília, em 08/09/13 às 15:00

                              

 Compartilhe e ajude-nos a formar a Massa Crística para a Mudança de Mentalidade que todos nós desejamos no mundo.

Sie: www.institutoviraser.com


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O EU DIVIDIDO


            O principal objetivo da Abordagem Transdisciplinar em Ciência é o resgate da inteireza do Ser Humano. Nas Diretrizes Curriculares do Ministério da Educação, o Ser Humano é um Eu Dividido: Seu corpo físico está situado na área biomédica, enquanto sua mente integra a área humana do conhecimento. Tal fragmentação de conceitos se reflete numa abordagem igualmente fragmentada da saúde, como se fosse possível ter saúde física, sem que se tivesse saúde mental.
 Numa visão mais abrangente e atualizada, a Organização Mundial de Saúde conceitua o termo “Saúde” como o bem-estar físico, emocional, mental e espiritual do indivíduo, podendo este conceito ser ainda ampliado para grupos, organizações e nações. O trabalho preventivo na área de saúde deve, não somente incluir as várias especialidades (Medicina, Psicologia, Odontologia, Fisioterapia, Nutrição, Enfermagem, Biologia... para apenas citar algumas (são ao todo 14 especialidades), mas também os diferentes níveis de funcionamento do Ser Humano, hoje compreendido como um Ser Multidimensional, que tem um corpo físico, em permanente interação com os seus níveis extra-físicos de funcionamento emocional, mental e espiritual. Partindo deste princípio, podemos compreender a necessidade de se desenvolver mais o conceito de Saúde Integral, como um estado de “estar a salvo” de riscos e ameaças, internas e externas, que possam afetar a saúde do Ser Humano como um todo.
No primeiro Século da Era Cristã, em Alexandria, no Egito, havia uma comunidade de terapeutas, um misto de Sacerdotes, Médicos, Psicólogos e Professores que cuidavam do Ser Humano como um todo. O termo terapeuta, lingüisticamente, tem o sentido de curador da alma; uma espécie de hermeneuta ou intérprete da linguagem do inconsciente humano, capaz de auxiliar o indivíduo a reorganizar o seu imaginal. O nível imaginal do Ser Humano se refere às crenças que direcionam sua vida, estas, por sua vez, constituídas por padrões lingüísticos e por uma visão de mundo que poderá ser auto-limitante ou auto-libertadora, diante dos obstáculos encontrados. Quando estes são compreendidos como desafios através dos quais o indivíduo irá desenvolver novas habilidades e competências para lidar com a vida, funcionam como estímulos ao desenvolvimento; quando, por sua vez, são compreendidos como castigo, rejeição e falta de oportunidades, geram a apatia cidadã, tão presentes naqueles que já perderam todas as esperança diante da vida.

            Sob este enfoque, o ponto de partida para a manutenção do estado integral de saúde, por pouco que estejamos habituados a este conceito, começa pela saúde espiritual. As pesquisas na área de psicossomática, desde há algum tempo, comprovaram os efeitos curativos da fé. Acima de tudo, a fé internalizada se expressa pela autoconfiança decorrente de estar consciente do sentido da própria vida; de uma missão existencial que, por si só, coloca o Divino dentro de cada indivíduo, na forma de motivação e entusiasmo, diante da possibilidade de concretização de um ideal. Estes componentes espirituais da vida, por sua vez, irão se refletir no padrão mental do indivíduo. Os pensamentos lamentosos e pessimistas serão naturalmente substituídos por metas existenciais bem definidas, positivas e construtivas, levando o indivíduo ao engajamento em atividades condizentes com os ideais que tenha estabelecido para a sua vida. Este padrão mental positivo provocará o surgimento de emoções igualmente positivas, de entusiasmo, otimismo, alegria, motivando o indivíduo para a realização desses ideais, através de ações concretas. No nível físico, este sentido de vida estará aliado a uma alimentação saudável e aos exercícios físicos de ativação muscular  que o corpo precisará para se mobilizar em direção de suas metas.
            Esta visão integral do Ser Humano exige uma Abordagem Científica Transdisciplinar, revertendo a tendência de fragmentação do conhecimento por especialidades, através de um diálogo interdisciplinar, entre os profissionais de saúde, para que, posteriormente, se amplie esta proposta para o nível transdisciplinar, em que os profissionais de saúde, já integrados, poderão dialogar com outros Saberes, igualmente importantes para a compreensão do Ser Humano.
            Tal amplitude de compreensão do Ser Humano exige que aqueles que têm a missão de lidar com qualquer um desses aspectos da experiência humana, reúnam-se em torno do seu foco de estudo (o Ser Humano), resgatando a compreensão de sua inteireza física, emocional, mental e espiritual, para promover uma mudança de mentalidade, sem a qual nada mais será possível.

            Por este aspecto, Sacerdotes, Médicos, Psicólogos, Professores,  Instituições Religiosas, Educacionais e Empresas (aliados a ações governamentais), são agentes sociais e pólos executores fundamentais para a transformação do ”Eu Dividido”  num “EU SOU” consciente de sua missão existencial: Conhecedor de suas origens, de suas metas e, principalmente, do sentido de sua passagem pelo planeta.


                                                       SUELI MEIRELLES   Site: www.suelimeirelles.psc.br


 Siga-me e ajude a formar a Massa Crística para a Mudança de Mentalidade que todos nós desejamos no mundo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

EU SOU A ÁGUA


Eu sou a água. No início da criação, era límpida e cristalina, correndo livremente pelos caminhos designados pelo Criador. Através da minha circulação, a seiva era transportada, a energia fluía, e a vida se tornava abundante. Eu era o útero da criação; o princípio no qual tudo teve início e, através de mim, a vida se fez presente, desenvolveu-se e realizou-se.
Durante muito tempo fui assim, límpida e translúcida, cumprindo minha função de corrente sangüínea da Terra... E aí veio o homem. É o homem bebeu de mim; e o homem começou a me utilizar nas suas plantações; e eu contribuí para a abundância das suas colheitas. Mas, o homem começou a me usar de forma indevida. Começou a represar-me e a desviar meus caminhos; começou a me utilizar segundo a sua vontade, descumprindo as Leis do Criador.
Muitos e muitos séculos se passaram e chegamos aos tempos atuais. Agora, sinto-me doente; muito, muito doente... Em muitos lugares, a minha circulação foi destruída; bloqueada e desviada do seu curso natural. Isto começou a gerar desequilíbrios. Em muitos lugares, fiz inundações; em outros, tornei-me escassa. Seres morreram afogados; seres morreram de sede. A minha liquidez foi-se tornando estagnada; sem fluxo. Resíduos e dejetos foram jogados em meu leito. Em muitos lugares, tornei-me negra e viscosa, como esses resíduos que me foram atirados. Nem me lembro mais como é ser água! Tornei-me tão imunda! Meu sofrimento é muito grande! Sinto-me agredida, desrespeitada pelo homem que se esqueceu de que faz parte dessa mesma Natureza. Que se esqueceu de que tem em si também uma circulação; que se esqueceu que essa água que existe fora, também existe dentro dele, em suas veias, e que, quando a água fora está poluída, seu próprio sangue fica contaminado.
Humanidade! Acordai para isto! Percebei que todos os elementos que existem fora de vós, existem também em vosso interior. Percebei que, quando poluís a Natureza, poluís a vós mesmos.
Humanidade! Acordai, enquanto é tempo! Despertai, hoje, para a limpeza dos elementos da Natureza. Limpai vossas mentes de toda a poluição da qual sois causadores. Limpai!
A Natureza chora e sofre, silenciosamente. Toda essa Natureza que reflete o livre arbítrio da própria mente humana, e se agonia ao perceber que está se preparando pra revidar ao homem, todo o mal que o homem lhe causou. Ainda há tempo! Socorrei a Natureza, que não possui o livre arbítrio do homem! Socorrei a Natureza que depende da ação humana. Limpai!  Limpai!  Limpai tudo isso! Usai a mim mesma. Cuidai de mim, principalmente devolvendo-me o poder e a força de ser pura e cristalina. Devolvei-me a condição de ser purificadora, utilizando-me para limpar os outros elementos. Recuperai as florestas. Cuidai dos animais que nelas vivem. Respeitai as suas condições naturais, que obedecem aos Desígnios Superiores. Reintegrai-vos a esta mesma Natureza da qual fazeis parte. Limpai vossas mentes e vossos corações. Limpai vossas mãos, elevando-as aos céus e agradecendo ao Criador por tudo o que recebestes; ocupando a vossa função de co-criadores e não, de destruidores. E aí, então, à medida que cada um de vós se tornar capaz de construir, visualizai as cascatas, os rios, as lagoas e os mares retornando às suas condições naturais, geradoras de vida. A mesma vida que circula por vossos corpos. Restabelecei a saúde em vós e em todo o Planeta Terra.

                                                    EU SOU A ÁGUA, Pura e Cristalina.

                                  SUELI MEIRELLES   Site: www.institutoviraser.com
                       Whatsapp: 55 22 99955-7166



 Siga-me e ajude a formar a Massa "Crística" para a Mudança de Mentalidade que todos nós desejamos no mundo.




[1] Mensagem Canalizada no Carrossel de Luz

terça-feira, 10 de setembro de 2013

É TEMPO DE FEMININO



Não tem que haver guerra!

Por isso é tempo de feminino.
Porque é tempo de cuidar.

Por isso é tempo de feminino.
Porque é tempo de amar.

Por isso é tempo de feminino.
Porque é tempo de atravessar
Todas as barreiras
Que os homens construíram entre si.

Por isso é tempo de feminino.
Porque é tempo de mãe:
Mãe que gesta,
Mãe que cuida,
Mãe que nutre,
Mãe que embala,
Mãe que beija,
Mãe que abraça,
Mãe que acalenta...

Por isso é tempo de feminino.
Porque quando o filho sofre,
a mãe também sofre.
E por isso as mães não gostam de guerras.
Porque seus sagrados filhos não foram gestados e paridos para lutarem entre si.
Por isso é tempo de feminino.
Porque é tempo de cuidar.
Porque é tempo de amar.
Cuidai do feminino,
Dentro de cada um de vós,
Homens e mulheres deste lindo Planeta Azul.

EU SOU em Vós,
Vós sois em mim.
EU SOU a CLARA LUZ DA CONSCIENCIA.

(Mensagem Canalizada na Reunião do Carrossel de Luz (Nova Friburgo).

Em 15/08/13

sábado, 24 de agosto de 2013

APOSENTADORIA: PREMIO OU CASTIGO?


Muitas pessoas passam a vida sonhando com o dia da aposentadoria, quando ficarão livres de todo e qualquer compromisso, para “curtir” a vida. Este modelo pode ser simbolizado por uma confortável cadeira de balanço, num sobrado com varanda. Afinal, aposentar-se tem o sentido linguístico de recolher-se aos aposentos. Mas, será realmente assim?
         A aposentadoria é uma invenção cultural do nosso século, tendo surgido, na década de 50, a partir da criação das Caixas de Pecúlio, criadas pelas diversas categorias profissionais, que, mais tarde, foram transformadas em institutos e, depois, no INSS. De início, com a arrecadação destinada unicamente aos pagamentos de aposentadorias e, posteriormente estendida também à área de assistência médica (o que seria função do Ministério da Saúde), o Instituto Nacional de Previdência Social teve seus cofres arrombados pela corrupção amplamente divulgada nos noticiários nacionais e internacionais. Cada vez mais “achatada” pela falta de atualização monetária, o valor das aposentadorias perdeu seu poder aquisitivo e, hoje, mal dá para a subsistência dos aposentados, mostrando-se como um sistema falido. Mas, do ponto de vista psicológico, o que significa aposentar-se? Como isto ocorre, na prática, dentro deste contexto político e econômico?
         Atuando diretamente junto a esta faixa etária da população, observo que a aposentadoria é um processo extremamente complexo, podendo ocorrer em várias etapas.
         Durante a vida produtiva, a aposentadoria afigura-se, num horizonte longínquo, como promessa de laser remunerado. Com a chegada da maturidade e as inúmeras experiências que fazem parte da vida, a aposentadoria começa a tornar-se motivo de preocupação: Incerteza em relação ao futuro, pensamentos perturbadores sobre velhice, limitações físicas, desmotivação para recomeçar, sentimentos de perda, rejeição, inutilidade... O que fazer depois de aposentado? Como escolher outra atividade? Este é o quadro da aposentadoria, numa época em que a longevidade já pode ser vista como uma condição conquistada pela ciência. Então, o que fazer, para que a aposentadoria se torne uma etapa produtiva e gratificante?
         Em primeiro lugar, é preciso rever os conceitos associados à velhice. Quanto mais as pessoas acreditarem que é possível ser idoso e saudável, mais a terceira idade poderá tornar-se positiva. Se no decorrer da vida, o indivíduo desenvolver hábitos de exercício físico, lazer, projetos de vida, alimentação balanceada e sentimentos de utilidade, com certeza estará criando condições adequadas para chegar, com saúde, à terceira idade. Se por um lado, a velhice pode trazer algumas restrições, com certeza traz também uma sabedoria de vida, pouco comum em outras idades e, de qualquer modo, cada etapa de vida, como todas as situações, tem dois lados. Não podemos dizer que a infância é melhor do que a juventude ou idade adulta. Todas têm vantagens e desvantagens características.
         De posse de uma visão positiva da velhice, o segundo passo é o planejamento da vida, na terceira idade. Se durante a maturidade, muitas vezes a pessoa tem que se sujeitar à oportunidade de trabalho que apareceu, a terceira idade pode se apresentar como a oportunidade de revitalizar sonhos e ideais que pareciam soterrados pelas responsabilidades com o sustento familiar. Saber que as obrigações foram cumpridas e que uma nova oportunidade de realização está a espera pode ser uma forte motivação para reiniciar a vida.
         A terceira etapa deste processo consiste em viver plenamente o luto da perda e da separação de um ambiente de trabalho, que pode ter sido o mesmo durante anos a fio. Despedir-se da mesa de trabalho, com todos os seus significados e pertences; despedir-se da sala, do prédio, dos colegas, dos afetos e desafetos, das inúmeras histórias, é fundamental para poder recomeçar. Fazer um balanço íntimo de tudo que foi aprendido durante os longos anos de trabalho; libertar-se das frustrações, dos erros; reconhecer o que se aprendeu com eles e recolher os ensinamentos positivos, significa liberar energia produtiva para a nova etapa que se avizinha. Virar as costas para esse passado e voltar-se para um mundo de oportunidades, buscando a própria realização, pode ser a chave de ouro de uma velhice ativa e jovial.
         Quando dizemos que a aposentadoria é uma invenção cultural do nosso século, chamamos a atenção para o fato de que as pessoas que seguiram suas vocações não costumam se aposentar. Quanto isto ocorre por algum impedimento alheio às suas vontades, elas, de uma forma muito natural, realizam uma readaptação profissional, dentro da mesma área, como instrutores, professores ou consultores, fazendo uso da experiência acumulada.
         Como invenção cultural, a aposentadoria não deu certo. Parece-nos que ela não é um processo natural; parece-nos que o adequado seria que as pessoas se mantivessem ativas e produtivas, respeitando a condição física e mental de cada momento de vida, mantendo-se integradas à comunidade em que vivem. Talvez este possa ser o caminho para o desenvolvimento de uma visão mais positiva em relação à velhice e à aposentadoria, considerando-se o quanto a participação do idoso pode ser útil, com toda a sua experiência de vida.
         Acreditar que uma pessoa “deve” se aposentar numa data específica e pré-programada, parece-nos um atestado de validade útil quando atribuído a mercadorias numa prateleira, mas inadequado quando se refere aos potenciais do ser humano. Acima de tudo, é importante lembrarmo-nos de que os resultados positivos ou negativos que obtemos na vida dependem diretamente das crenças construtivas ou auto-limitantes que temos em relação à vida. Acreditar que o objetivo final de nossas existências resume-se a receber o rótulo de inativo, parece-nos muito pouco diante de tudo quilo que o ser humano é capaz de realizar.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

O CONTRATO SECRETO DO RELACIONAMENTO



            Quando falamos em vida a dois, pensamos num casal, num homem e numa mulher, que decidem, por diferentes razões, compartilhar suas vidas. Aquilo que parecia uma proposta simples de compartilhar duas vidas, gradativamente começa a adquirir uma complexidade que, na maioria dos casos, resulta num intrincado novelo, onde os fios se multiplicam, sem que se saiba exatamente com eles surgem. Muitas vezes esses fios formam nós, cuja única solução parece ser o corte definitivo da separação. Mas, por que isto acontece?
            Em primeiro lugar, o que chamamos “vida a dois” é um relacionamento que tem como modelos os pais do casal, com seus aspectos positivos e negativos de personalidade. A mulher tentará reproduzir o que tenha sido positivo na personalidade de sua mãe; desejará que o marido seja parecido com o seu pai, em seus aspectos positivos. Inconscientemente, repetirá os aspectos negativos da personalidade de sua mãe e desaprovará os comportamentos do marido que sejam parecidos com os aspectos negativos de seu próprio pai. O marido, por sua vez, reproduzirá este mesmo quadro, fazendo com que o relacionamento a dois se transforme num relacionamento a seis: Os pais de ambos, mais o casal. Como se isto não bastasse, cada um dos cônjuges pode predominantemente ser visual, auditivo ou sinestésico, privilegiando aspectos que talvez para o outro não sejam significativos. Uma esposa visual irá valorizar decoração e filmes, enquanto um marido sinestésico irá preferir sentar-se à mesa de um bar, para alguns petiscos e um bom bate-papo, que deixará a esposa (visual) preocupada com a dieta e a forma física. Temos agora um relacionamento entre seis partes de cada lado: o cônjuge, seus pais e seus três canais sensoriais (visual, auditivo e sinestésico). Além disso, em cada um dos cônjuges interferem três partes psíquicas: O Pai Internalizado (conjunto de regras e valores, que estabelecem o que é certo ou errado), o lado adulto que pondera, avalia e decide, e o lado criança, que representa a parte emocional, movida pelos desejos inconscientes. Teremos, assim, nove partes de cada lado, o que significa, matematicamente, oitenta e uma possibilidades de atritos.
            Se as duas partes psíquicas responsáveis pelas regras entram em conflito, teremos uma disputa de poder entre o casal. Se num dos cônjuges predomina este lado de regras, tendo como contrapartida a criança interna do outro, as brigas serão entremeadas por mal-criações por parte do cônjuge mais imaturo. Se a criança interna de um for submissa, irá obedecer ao pai internalizado do outro cônjuge, transformando o casamento num relacionamento filial. Se os dois tiverem o predomínio da criança interna, o relacionamento será marcado pela irresponsabilidade, de ambas as partes. Some-se a tudo isso as expectativas que cada cônjuge cria em relação ao seu parceiro ou parceira, e ainda, as metas pessoais da vida de cada um, e teremos a explicação para o alto índice de separações que reduzem os mais lindos sonhos dos tempos de namoro, a um pacote de decepções de parte a parte.
            Quando promovemos a análise da linguagem de um casal, sejam namorados, noivos ou marido e mulher, identificamos os pontos de conflito que muitas vezes transformam a vida a dois num campo de batalha, em que o outro se torna o depositário das questões emocionais mal resolvidas na infância de cada um. Trazer estas questões à consciência é o primeiro passo para libertar o outro de expectativas que talvez ele ou ela jamais possa vir a satisfazer, para tornar-se um ser humano inteiro e responsável por sua própria felicidade.  A partir da sua auto-realização e do redirecionando da vida pessoal para metas que só dependam da própria pessoa e que, poderão ser compartilhadas com alguém que também busque concretizar seus próprios ideais,  duas pessoas realizadas e livres dos fantasmas de suas histórias de vida têm mais chances de serem felizes juntas.


                                                                                               SUELI MEIRELLES


terça-feira, 13 de agosto de 2013

DEPENDENCIA QUÍMICA



            Numa sociedade que perdeu os seus valores éticos e a sustentação dos valores transcendentais, aumenta, assustadoramente, a quantidade de jovens dependentes químicos. Sentindo-se sem apoio para o enfrentamento dos desafios evolutivos da vida, eles buscam o alívio temporário e ilusório proporcionado pelas drogas, diante das dificuldades espirituais, psíquicas e emocionais. Para que possamos efetivamente ajudá-los, precisamos compreender como este processo ocorre.
            Em primeiro lugar, a predisposição psicológica para a dependência de drogas se estabelece na fase oral do desenvolvimento psico-afetivo, entre o primeiro e o segundo ano de vida, quando o indivíduo está aprendendo, literal e também simbolicamente, a caminhar com os próprios pés. As necessidades emocionais não atendidas nesta fase do desenvolvimento, irão se instalar na forma de baixa-estima e insegurança, gerando a ansiedade e os sentimentos de inadequação, que irão funcionar como um fator desencadeante do uso de drogas, na adolescência. Nesta fase de transição entre ser criança ou ser adulto, os “grupos de pares” surgem como uma das formas de apoio externo, diante das dificuldades relacionais típicas de nossa sociedade conflituosa, levando o jovem emocionalmente fragilizado às primeiras experiências com drogas, geralmente maconha. A maconha foi introduzida em nossa cultura pelos povos indígenas que a utilizavam como “erva de poder”, dentro de rituais religiosos, ou para alcançar estados alterados de consciência, quando conseguiam “sair do corpo”, para localizar uma criança perdida na floresta, por exemplo, e que corria risco de morte. No contato com a nossa civilização, este procedimento perdeu o seu caráter de utilidade e sacralidade, para se constituir num procedimento de fuga diante de uma realidade de vida, para a qual não se está preparado. Por este caminho, no decorrer das décadas, outras drogas foram introduzidas, com o objetivo de se conseguir, através de substâncias químicas cada vez mais pesadas, o tão desejado e inacessível estado de felicidade. Este estado alterado de consciência produzido artificialmente por uma substância química conduz a uma inegável e temporária sensação de bem-estar, que se constitui num dos principais obstáculos para a recuperação dos dependentes químicos. O relaxamento e a felicidade são resultantes da estimulação cerebral para a liberação de dopamina e cerotonina. A dopamina é o neurotransmissor responsável pelo relaxamento muscular, que se traduz pela sensação de total ausência de risco e a serotonina é a responsável pela sensação de bem-estar e felicidade. Liberadas em excesso durante o uso de drogas, as reservas destas duas substâncias são rapidamente esgotadas, uma vez que o cérebro não tem tempo para restabelecer o seu equilíbrio bioquímico, fazendo com que o usuário, ao retornar ao seu estado normal, caia no extremo oposto da tensão e da sensação de infelicidade, o que lhe exige novamente o uso da droga, estabelecendo-se um círculo vicioso, em que as quantidades da droga consumida terão que ser cada vez maiores, para compensar a falta (também cada vez maior) de dopamina e serotonina.
            Depois de estabelecida a dependência química, para que a recuperação seja alcançada, torna-se necessária a internação em clínica especializada, quando serão administradas porções gradativamente menores da droga, até que o organismo esteja totalmente livre de seus efeitos, e as liberações de dopamina e serotonina, pelo cérebro, tenham novamente alcançado o seu equilíbrio normal. Caso contrário, o dependente irá apresentar as reações típicas da síndrome de abstinência, na qual estão incluídas as depressões profundas, pela falta de serotonina, e os espasmos musculares, provocados pela ausência de dopamina no organismo. Todos estes fatores, associados aos estímulos externos de uma sociedade em transição civilizatória, deixam os jovens confusos e inseguros, quanto ao caminho que deverão seguir em suas vidas.
            Por detrás deste triste quadro, geralmente se encontra toda uma trajetória de falta de atenção e diálogo entre as diferentes gerações, substituição de valores morais por bens de consumo, desorientação quanto ao verdadeiro sentido da vida, sentimentos pouco desenvolvidos de fé e religiosidade, que poderiam funcionar como os elementos de apoio que os jovens necessitam, diante dos desafios que a vida lhes impõe.

Mais uma vez, o trabalho preventivo do diálogo aberto quanto às conseqüências do uso de drogas, associado ao suporte emocional e à introdução de valores morais e espirituais, pode trazer aos jovens a sustentação necessária para que eles entrem no mundo dos adultos, fortalecidos em suas metas existenciais, tornando-se mais seguros e menos sujeitos às influências externas destrutivas.

                                                                                 SUELI MEIRELLES